domingo, 30 de janeiro de 2011

Maria Bethânia - Reconvexo

Olha - Maria Bethania

Idade da Razão

"Fico só". Só, porém não mais livre do que antes. 
Dissera a mim mesmo na véspera: “Se ao menos Marcelle não existisse!" Mas era uma mentira. 
Ninguém entravou minha liberdade, foi a minha vida que a bebeu. Fechou a janela e voltou para o quarto. O perfume de Ivich ainda flutuava. Respirou-o e reviu aquele dia tumultuoso”. Pensou: 'Muito barulho à toa, por nada. Por nada'. Essa vida era–lhe dada à toa, ele não era nada e, no entanto, não mudaria mais. Estava formado. Tirou os sapatos e ficou imóvel, sentado no braço da poltrona, um sapato na mão. Sentia ainda no fundo da garganta o calor adocicado do rum. Bocejou. O dia estava acabado e acabava sua mocidade. Morais comprovadas já lhe ofereciam seus serviços. O epicurismo desabusado, a indulgência sorridente, a resignação, a seriedade de espírito, o estoicismo, tudo isso que permite apreciar, minuto por minuto, como bom conhecedor, uma vida malograda. Tirou o paletó, pôs–se a desfazer o nó da gravata. Repetia bocejando: – Não tem dúvida, não tem dúvida, estou na idade da razão. 
 JEAN-PAUL SARTRE 



Pão amanhecido

Não gosto de pão amanhecido, não gosto de idéias amanhecidas, elas assim como os pães perdem a graça o frescor a crocância. Hoje estou com  alguma inspiração que quero registrar! Amanhã elas podem não me fazer mais sentido, porém hoje são extremamente importantes.
E dá-le postagens...

Cartas de amor ridículas.



Iniciarei uma série de postagens, na verdade já iniciei, mas só agora estou batizando-a, de: Cartas de amor ridículas. Onde colocarei as cartas de amor.  É uma forma de “eternizá-las”. 
Quando foram escritas e respondidas, são ou não verdadeiras ou quem são os personagens? Isso não tem a mínima importância. O que importa é a beleza do sentimento e simplicidade de seu conteúdo. Cartas de amor são sempre interessantes, mas só, para quem as recebe ou manda e para os apaixonados, ademais são apenas cartas de amor ridículas, como os apaixonados.

 

A Lua Negra Que Me Orbita

Não existem muitas maneiras de começar a escrever esse texto. A mais segura foi a que escolhi. Abri uma garrafa de uma beberagem rústica que ganhei de aniversário: Lagavulin, um malte de 16 anos. Em pequenas doses é administrável. Em grandes é alucinógeno. Decidi pelo caminho intermediário. Aquele que me levará a um contido nirvana. E a cada vez que enrubescer, mais pela vergonha das palavras que imprimo na tela, do que pelo efeito dos gases alcoólicos, esticarei o braço na direção do copo e me servirei um pouco mais desses sentimentos que, um dia foram a minha razão de viver. Em 1983 eu amei. E fui amado. Mas por que não nos casamos? Lembro de uma pergunta que você me fazia: como você pode vulgarizar tanto o que sentimos um pelo outro? Eu simplesmente não conseguia acreditar que pudesse ser tão amado como fui. Não me sentia merecedor. Como em “Sonhos De Um Sedutor”, de Woody Allen, quando numa cena em que ele tenta salvar uma garota do assédio de dois sujeitos musculosos, Woody grita corajosamente para eles: Parem com isso! Em seguida, percebendo que cometera um erro, Woody olha para trás e pergunta: Quem disse isso? Era assim que me sentia. Esperando que em algum momento você me dissesse que havia se enganado. Para mim, era difícil aceitar que depois de ter me desvendado, você continuasse me desejando. Não me refiro apenas ao desejo elementar de um corpo pelo outro. Talvez, fosse mais do que desejar, mas aceitar. Você me aceitava como eu era. Permiti que você ocupasse todos os meus espaços emocionais, os meus buracos da alma. Me concedi completamente, sem restrições, sem condições. Você perdeu uma grande oportunidade de experimentar o sabor da carne humana. Se tivesse me pedido um pedaço, eu teria dito que bastaria mastigar o que já estava em sua boca. Não era amor o que eu sentia. Era um estágio superior. Era devoção. Você era o meu culto secreto. Não porque devesse ser mantido desconhecido do mundo. Logo ele foi revelado. Mas porque eu sabia que não havia ninguém que pudesse adorá-la como eu. Você era meu santuário pagão. Quando nos olhávamos, sabíamos que estávamos pecando, participando de um círculo de cúmplices formado por duas pessoas que se queriam e que se bastavam. Posso ver seus olhos negros me fitando, sua boca deixando escapar um sorriso subliminar que me dizia o tempo todo: E agora? Quando planejamos morar no Marrocos, considerei fortemente a idéia. Havia algo de literatura beat em tudo isso. Combinava conosco. Será que terminaríamos nossas vidas lado a lado, septuagenários, mas ao invés de sentar em nossas respectivas cadeiras de balanço, nos espreguiçaríamos sobre aquelas enormes almofadas mouriscas, inalando haxixe de imensos narguilés? Em setembro, dois meses antes da viagem para Portugal, fumamos maconha naquele apartamento, no Itaim. Em algum momento fui para a lavanderia e esperei você me procurar. O fumo era forte. Não sentia culpa pelo que iria acontecer. E nós sabíamos que tinha que acontecer. Você veio e ficou atrás de mim. Meus sentidos estavam afiados aquela noite, principalmente por causa da sua saliva que impregnou o baseado com química ceresina. Conversamos sobre alguma coisa. A vista para o varal não era exatamente romântica, mas pouco importava, pois apesar de estar de costas para você, meu campo de visão foi absolutamente tomado pela memória recente de um rosto que eu queria para mim. Voltamos para a sala e alguém jazia no sofá. Hora de ir embora. Você me acompanhou até o elevador. No trajeto me perguntou: se eu te der uma chave, você aceita? Atordoado pelo movimento de seus lábios que se insinuavam como um relógio nas mãos de um hipnotizador, eu disse o sim mais afirmativo desde o nascimento da palavra falada. Nunca me ocorreu que pudesse ser uma oferta no sentido metafórico. Ao chegar ao elevador, apertei o botão. Olhei para você e nos beijamos pela primeira vez. Foi um beijo terno e selvagem ao mesmo tempo. Nesse momento, me entreguei a você. Já não era mais dono de minha vontade. Me tornei um zumbi a seu serviço. Entrei só no elevador. Quando a porta se abriu no térreo cambaleei até o carro. O perfume de seu suor ficou em mim. Fui me cheirando, tentando preservar aqueles odores o máximo que pudesse. 
A Lua Negra Que Me Orbita Antes de chegar ao carro, olhei para o céu e vi uma única estrela que conseguira burlar a vigilância das nuvens invejosas do meu amor. Não fiz nenhum pedido, apenas me lembrei de algo que me fora dito alguns meses antes por Augusto Damineli: quando olhamos para as estrelas, olhamos para o passado, pois o que vemos é o brilho de um astro, enviado centenas, milhares de anos atrás e, ainda que viaje à velocidade da luz, demora a chegar. Ontem também olhei para o céu e vi milhões de constelações, super-novas, vias-lácteas. Enquanto entortava meu pescoço e potencializava os rendimentos de minha quiroprática, fixei minha vista numa única estrela e imaginei estar olhando pra você. Em nenhum momento pensei no brilho dela como o passado. 
Zoca Moraes

Coisas que marcam

Remexendo em meu baú virtual, encontrei isso, mais que lindo, ele me mandou certa vez: Estava divagando quando meus pensamentos pousaram em você. Não sabia se parava ou continuava, não sabia o elementar Que a saudade pode doer como uma perda. Daí vim correndo até aqui e escrevi para você Algumas palavras que está acabando de ler E que levam consigo alguns Beijos Que eu mesmo gostaria de levar.

Van Gogh

Ontem como todo sábado, o mesmo ritual: família, pizza, vinho,altos papos e muita música, entre elas; Vicent de Don McLean que eu adoro, hoje acordei pensando nele, fui pesquisar, conheci um pouco desse gênio, descobri que temos os Girassóis em comum, e mais um tanto de coisas que resolvi colocar abaixo: 
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Vincent Van Gogh (1853-1890) 


Vicent Van Gogh é exemplo clássico de fracasso em vida. Vendeu uma única tela em toda a sua existência. Quanto a isto, profetizou: “Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço da tinta”. Sobreviveu de favores, de mesadas pagas pelo irmão Théo ou Theodorus. Apaixonou-se quando jovem por uma prima, mas não foi correspondido. Para provar à família o alcance de sua paixão, deixou-se queimar em uma chama de vela e pela primeira vez foi chamado de louco... Quem nunca ouviu falar do pintor holandês que decepou a própria orelha e a enviou à uma prostituta? Van Gogh trabalhou como artista somente nos últimos dez anos de vida, isto é, dos 27 aos 37 anos, quando morreu. Durante os primeiros dois anos, ele somente desenhava, procurando aprender a arte. A genialidade de Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Em vida, o artista holandês, que passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a miséria, vendeu apenas uma pintura _ "O Vinhedo Vermelho". Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, "O Retrato de Dr. Gachet", pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões. Maior expoente do pós-impressionismo, ao lado de Paul Gauguin e Paul Cézanne, Vicent Willen Van Gogh, foi sempre sustentado pelo irmão Theodorus, com quem trocou mais de 750 correspondências, documentos fundamentais para um estudo mais aprofundado de sua arte. Na sua fase mais produtiva (1880/90), Van Gogh foi completamente ignorado pela crítica e pelos artistas. Atualmente, os seus quadros estão entre os mais caros do mundo. Na infância, Van Gogh aprendeu inglês, francês e alemão. Mas, com apenas 15 anos, deixou os estudos para trabalhar na loja de um tio, em Haia (Holanda). Com 24 anos, achou que a sua vocação era trabalhar com a evangelização, chegando a estudar teologia, em Amsterdã. Pouco tempo depois, dividiu os seus poucos bens com os pobres e passou a ser sustentado pelo irmão, ao mesmo tempo em que iniciava a carreira profissional como pintor. Van Gogh, que também morou na França e na Bélgica (onde conviveu com mineiros extremamente pobres), pintou mais de 400 telas _os três anos anteriores à sua morte foram os mais produtivos. Uma mudança fundamental na vida do pintor holandês aconteceu quando Van Gogh trocou Paris por Arles, mais ao sul da França. Na pequena cidade, Van Gogh aluga uma casa e intensifica o seu trabalho, ao lado de Gauguin. Após um período de ótima convivência, os dois pintores começam a discutir muito e Van Gogh ataca Gauguin com uma navalha em dezembro de 1888. Inconformado com o fracasso do ataque e completamente transtornado, Van Gogh corta o lóbulo de sua orelha esquerda com a própria arma. Em seguida, embrulha o lóbulo e o entrega a uma prostituta. Internado em um hospital, recebe a visita do irmão Theodorus. No começo de janeiro de 1889, Van Gogh deixa o hospital, mas apresenta sinais evidentes de disfunção mental _às vezes, aparenta tranqüilidade, em outras oportunidades, demonstra alucinações. Internado pelo irmão em um asilo, Van Gogh não deixa de pintar. Por ironia, à medida que a sua saúde fica ainda mais deteriorara, a classe artística começa a reconhecer o seu talento, expondo alguns de seus trabalhos em museus. Quando deixou o asilo, o pintor holandês foi morar nas imediações da casa de seu irmão. Nesta época, pinta, em média, um quadro por dia. Depois de ver os seus problemas mentais serem agravados, Theodorus decide que Van Gogh será tratado pelo médico Paul Gachet. Em maio de 1890, aparentando estar recuperado, Van Gogh passa a morar em Auvers-sur-Oise, a noroeste de Paris, onde pinta freneticamente. Em julho, uma nova recaída no estado de saúde do pintor holandês, que também demonstra inconformismo com as dificuldades financeiras enfrentadas pelo seu irmão. No dia 27, Van Gogh sai para fazer um passeio e toma uma decisão drástica _atira contra si mesmo, no tórax. Cambaleando, volta para a sua casa, mas não comenta com ninguém que tinha tentado o suicídio. Encontrado por amigos, Van Gogh passa as últimas 48 horas de sua vida, conversando com o seu irmão _os médicos não conseguiram retirar a bala do tórax. No dia 29, pela manhã, o pintor morreu e o seu caixão foi coberto com girassóis, flor que ele amava. Aliás, a tela


"Os Girassóis" é uma das obras-primas de Van Gogh.

Os Girassóis também são minhas flores favoritas! 

 A canção Vicent é um tributo de Don McLean ao Pintor.

 Quando estiver passeando por lá, não deixe de conhecer o Museu Van Gogh, se você estiver em Amsterdã, na Holanda. Ele contém uma extraordinária coleção do trabalho do artista em seus diversos períodos, desde a escuridão, as formas pesadas do período alemão até as pinturas coloridas de seu tempo em Arles. O Museu também apresenta trabalhos de seus contemporâneos como Manet e Toulouse-Lautrec. 
Abaixo suas mais conhecias obras:


Autoretrato” (1889) – Vincent van Gogh


No Limiar da Eternidade 
É emblemático do sofrimento de Vincent van Gogh em sua últimos meses em Auvers-sur-Oise.



Fonte:http://www.girafamania.com.br/artistas/personalidade_vangogh.html http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u242.jhtm

sábado, 29 de janeiro de 2011

Frases que fazem todo o sentido, que encontramos flutuando por aí...

 Para cantar é preciso primeiro abrir a boca. É preciso ter um par de pulmões e um pouco de conhecimento de música. Não é necessário ter harmonia ou violão. O essencial é querer cantar. Isto é, portanto, uma canção. Eu estou cantando. 
Henry Miller, Trópico de Câncer.


A escrita é uma experiência solitária. devemos, por tanto, guardar o que escrevemos em um baú ou queimar tudo? Acreditamos que não, acreditamos que necessitamos da expressão e comunicação Libertária, sem nos preocuparmos com juízos de valor, sem nos preocuparmos se agradamos ou desagradamos, sem nos preocuparmos se ferimos morais ou convicções quaisquer que sejam, sem nos preocuparmos com a crítica, até porque, para haver crítica, é preciso que alguém ouça nosso grito. Melhor gritar e ser ouvido, ainda que desagradando, incomodando, do que permanecer eunucamente mudo e servil. Nós não temos grandes pretensões, só queremos cantar, pouco importa se saímos do tom ( os essencial é querer cantar), pois é exatamente como disse Oscar Wilde: 
“Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós preferem olhar as estrelas”. Assim, te convidamos ( tu que estás se dispondo a ler isto neste momento) a fazer o mesmo. Somos todos cantores, basta ter pulmões e querer cantar. 


Canta, Berra, Escarra, Vomita, Esporra, Regurgita tuas neuroses… 
Francisco Ewerton dos Santos

Fonte:http://versosrascunhos.blogspot.com/2010/11/torpedos.html

Dias, sons, pensamento em você...

O dia começa cedo, apesar de eu estar dormindo muito tarde. Deveria permanecer na cama às sete da manhã, enrolada ao edredon e ao sonho doce e erótico devido aos seus gemidos no meu ouvido. Mas levanto e, no banho, o meu pensamento continua conectado aos seus sons. Entre as roupas que penduro no varal, uma palavra, ou duas, falam seu nome. Elas balançam ao vento, junto com as roupas, soprando os meus desejos, me dizendo tudo aquilo que eu já sei. Na cozinha, as panelas soltam uma fumaça branca, soltam cheiros de família. Mas eu não estou aqui. Eu vou junto com a fumaça, eu vou embora pelo ar, eu me desfaço em ar e as distâncias diminuem. As camas todas têm os lençóis esticados, os travesseiros estão ao sol, o ar está cheio desse cheiro de limpeza, as colchas têm rendas e detalhes, mas, em cada curva do tecido, em cada dobra de cada fronha, eu vejo você. Caminho pela calçada, perto de casa. Os semáforos acendem a luz vermelha assim que eu chego perto deles. Tenho a sensação que essa sintonia se deve a você. Que estará do outro lado da rua à minha espera. De sorriso aberto e olhar terno. Imagino você em meio às plantas do seu jardim, Vejo você nas flores que caem pelo chão, nas gotas da chuva de verão que encharca tudo. Eu lhe procuro em músicas. Eu lhe procuro em vozes desconhecidas, que falam nas ruas. A música toca. Uma música que para mim representa o fim e o começo. E ela recomeça, de novo, de novo e de novo. A música suave e romântica, a música dos anos 60,70 e 80, criança, cheia de semitons e delírios. E o meu amor se transforma em você. Você é meu desejo, meu carinho, minha beleza. Você é o meu ideal. Uma idéia medieval, que renasceu. Uma idéia de construir castelos e ser uma dama de copas. E eu penso que tudo poderia ser diferente, tudo poderia ser tão diferente. Mas a minha sabedoria me diz que tudo seria exatamente igual. 
 Então, tudo vai ficar como está. 
 Tudo é, apenas. 
Fonte: sintowin.net 

Meu coração esta feliz, sinto até certo peso na consciência de estar me sentindo assim em meio ao caos em que o mundo se encontra...

"Sonhe tenha até pesadelos se necessário for, mas sonhe..." (Pagu).

As leis

As Leis 1- Guia prático da ciência moderna: 
 1. Se mexer, pertence à Biologia. 
2. Se feder, pertence à Química. 
3. Se não funciona, pertence à Física. 
4. Se ninguém entende, é Matemática. 
5. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia. 
6. Se tiver mais excessões do que regras, é Língua Portuguesa. 
6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender, não fizer sentido e ter mais excessão do que regra, pode ser você. 


 2- Lei da Procura Indireta: 
1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra. 
2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando. 


3- Lei da Telefonia: 1. 
Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. 
Se tiver papel, não tem caneta. 
Se tiver ambos, ninguém liga. 2. 
Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados. 
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone. 


 4- Lei das Unidades de Medida: Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você... 


 5- Lei da Gravidade: Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação. 


 6- Lei dos Cursos, Provas e Afins: 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu, baseada no único livro que você não leu. 


 7- Lei da Queda Livre: 1. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente. 2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete. 


 8- Lei das Filas e dos Engarrafamentos: A fila do lado sempre anda mais rápido . Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida. 


 9- Lei da Relatividade Documentada: Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual. 


 10- Lei do Esparadrapo: Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai. 


 11- Lei da Vida: 1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada. 2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida. 

12- Lei da Atração De Partículas: Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto. Coisas que naturalmente se atraem: Mãos e seios Olhos e bunda Nariz e dedo Pobre e funk Mulher e vitrines Homem e cerveja Queijo e goiabada Chifre e dupla sertaneja Carro de bêbado e poste Tampa de caneta e orelha Moeda e carteira de pobre Tornozelo e pedal de bicicleta Jato de mijo e tampa de vaso Leite fervendo e fogão limpinho Político e dinheiro público Dedinho do pé e ponta de móveis Camisa branca e molho de tomate Tampa de creme dental e ralo de pia Café preto e toalha branca na mesa Dezembro na Globo e Roberto Carlos Show do KLB e controle remoto (Para mudar de canal) Chuva e carro trancado com a chave dentro Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico Bebedeira e mulher feia Mau humor e segunda-feira! Bom humor e a sexta - feira! 


Fonte: Blog amigos do Freud

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um universo chamado O outro



O outro. 
Esta estranha incógnita. 
O outro é sempre um mistério. Após um ano de divã, ela finalmente assimilou essa verdade. 
Tal qual a tabela periódica, por mais que a decorasse, tudo ainda era muito complicado para ela, que sempre achou que seria fácil decifrar este estranho universo que se chama O outro. Agora não. 
Ela finalmente entendeu que cada um é mesmo um universo em si. Um universo completo, cheio de seu próprio repertório. Todo homem e toda mulher é uma estrela, já dizia Alester Crowley. 
O ensinamento do mestre só agora lhe fazia sentido, finalmente. Mas ela transcendeu o mago. Em sua cabeça, todo homem e toda mulher não é apenas uma estrela. Não é nem sequer um universo. É muito mais do que isso. É uma via láctea inteira, é um multiverso, cheio de infinitas possibilidades. O outro é complexo. 
É cheio de fractais. É repleto de elementos químicos. A tabela periódica quase que completa é possível de ser encontrada no outro. Ela percebeu que se tentasse compreender e aceitar a complexidade do outro, mais do que aceitar a diferença, mas aceitar a complexidade do outro em si, talvez conseguiria evitar algumas das inúmeras e inevitáveis colisões com o outro. Os universos ao redor dela. Afinidade e repulsão, os opostos se atraem, os semelhantes se repelem. As cargas elétricas. A física e a química nunca haviam feito tanto sentido em sua cabeça como agora. Há no outro múltiplos caleidoscópios. Físicos, psíquicos, emocionais. 
E quando ela finalmente compreendeu tudo isso, descobriu que no fundo o que ela busca tanto no outro não é a união, mas a intersecção. Das semelhanças e das diferenças. Há no outro um quê de espelho e repulsa. Buscamos no outro a identidade, mas também fugimos dela quando essa mesma identidade é parecida demais com a nossa. Se o parecido nos atrai, o muito parecido, o quase igual, nos mete medo. 
Nos repele. Como se dá com as cargas elétricas iguais na física. É estranho. 
Mais que do diferente, é do muito igual que fugimos. Talvez por não suportarmos saber de fato quem e como somos. Talvez porque não suportamos o brilho da nossa própria estrela. 
Ou o peso do nosso universo inteiro. 
Eu não sou eu Nem sou o outro Sou qualquer coisa de intermédio Pilar da ponte de tédio 
Que vai de mim Para o outro 


Mário de Sá Carneiro, poeta português

 

CAZUZA

Cazuza sua brevidade o eternizou!

Eu já gostava muito, depois de conhecer sua intimidade atravéz do filme, não teve jeito tinha que fazer algo a respeito: E aqui vai, nada de novo mas com muito carinho.

Coisas de Cazuza


"O amor é o ridículo da vida
A gente procura nele uma pureza impossível
Uma pureza que esta sempre se pondo
Indo embora
A vida veio e meu levou com ela
Sorte se abandonar a essa vaga idéia de paraíso que nos persegue.
Bonita e breve
Como borboletas que só vivem 24 horas
Morrer não dói..."
"Herói pra mim morre doido
Não fica careca ou vira burocrata".
 "Tem o certo, tem o errado e tem todo o resto"... 
"O tempo não para e a gente ainda passa correndo."
 "Nessa vida ninguém presta."
 "Sou da geração do disbunde.

No início dos anos 80, um garoto dourado do sol de Ipanema surpreendeu o cenário musical brasileiro.
À frente de uma banda de rock cheia de garra, começou a dar voz aos impulsos de uma juventude ávida de novidades. Ele, Cazuza, era a grande novidade. O Brasil saía de um longo ciclo ditatorial e vivia um clima de democracia ainda incipiente, mas suficiente para liberar as energias contidas. Cazuza desempenhou um papel importante nesse processo. E quando as misérias e mazelas nacionais foram se desnudando, ele respondeu sem meias palavras. A expressão de sua repulsa diante desse quadro só pode ser comparada à coragem com que lutou por sua vida, no enfrentamento público da Aids. Lições de indignação e de dignidade; de como levar a vida na arte e "ser artista no nosso convívio". No pouco que viveu, Cazuza deixou uma obra para ficar. Bebeu na fonte da tradição viva da MPB para recriar, num português atual e espontâneo, cheio de gírias, e num estilo marcadamente pessoal, a poesia típica do rock. Com justiça, foi chamado de o poeta da sua geração.

 Na definição do dicionário, "cazuza" é um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa. Deriva daí, provavelmente, o outro significado que o termo tem no Nordeste: o de moleque. Foi por isso que João Araújo, de ascendência nordestina, certo de que sua mulher Lúcia teria um menino, começou a chamá-lo de Cazuza, mesmo antes de seu nascimento. Batizado como Agenor de Miranda Araújo Neto, desde cedo o menino preferiu o apelido. O nome ele só viria a aceitar mais tarde, ao saber que Cartola, um dos seus compositores prediletos, também se chamava Agenor. Nascido a 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, Cazuza foi criado em Ipanema, habituado à praia. Os pais - ele, divulgador da gravadora Odeon; ela, costureira - não eram ricos mas o matricularam numa escola cara, o colégio Santo Inácio, dos padres jesuítas. Como às vezes tinham que sair à noite, o filho único se apegou à companhia da avó materna, Alice. Quieto e solitário, foi um menino bem-comportado na infância. Roberto Frejat, guitarrista; Dé, baixista; Maurício Barros, teclados; Guto Goffi, baterista. Era 1981 e esses garotos precisavam de um vocalista para completar sua banda. Os ensaios aconteciam na casa de um deles no bairro de Rio Comprido, onde um dia apareceu Cazuza, enviado pelo cantor Léo Jaime. Sua voz, era adequadamente berrada para os rocks de garagem que os quatro faziam, agradou muito. Animado, o novo integrante resolveu então mostrar as letras que, na surdina, vinha fazendo havia tempos. Rapidamente o grupo, que se chamava Barão Vermelho e só tocava covers, começou a compor e aprontou um repertório próprio.

 

Em novembro de 1985, lança o disco solo e inicia sua a fase individual Cazuza assinou os maiores hits do novo álbum: em parceria com Ezequiel e Leoni, o rock "Exagerado", emblemático da sua persona romantico-poética, e a balada "Codinome Beija-flor", com Ezequiel e Reinaldo Arias. Mais dois rocks ficaram notórios. "Medieval II" fixou nas rádios seu auto-irônico refrão ("Será que eu sou medieval?/ Baby, eu me acho um cara tão atual/ Na moda da nova Idade Média/ Na mídia da novidade média"). E "Só as mães são felizes", que teve sua execução pública proibida pela censura. Escandalosa ("Você nunca sonhou ser currada por animais? (...) Nem quis comer sua mãe?"), a letra homenageou artistas malditos, como o escritor beat Jack Kerouac, citado no verso-título. Importante referência literária de Cazuza, ao lado de Clarice Lispector (cujo "A descoberta do mundo" tornou seu livro de cabeceira), Kerouac também teve um poema transcrito na contracapa do disco seguinte. Lançado em março de 1987, "Só se for a dois" foi o primeiro álbum de Cazuza fora da Som Livre, que resolvera dissolver o seu cast. Disputado por várias gravadoras, ele se transferiu para a Polygram, a conselho do pai. A essa altura, apesar da imagem de artista "louco", sua postura profissional já era outra. O rompimento com o Barão, junto com a liberdade artística que almejara, trouxera também a exigência de mais seriedade.

 

 A essa época, contudo, ele já sabia que estava com Aids. Antes de estrear o show "Só se for a dois", tinha adoecido e feito um novo exame. A confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira. Em outubro de 1987, após uma internação numa clínica do Rio, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, nos Estados Unidos. Lá, passou quase dois meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT. Ao voltar, gravou "Ideologia" no início de 1988, um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e pela sua definitiva consagração artística. O disco vendeu meio milhão de cópias. Na contracapa, mostrou um Cazuza mais magro por causa da doença, com um lenço disfarçando a perda de cabelo em função dos remédios. No seu conteúdo, um conjunto denso de canções expressou o processo de maturação do artista. "O meu prazer agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll", confessava ele, em "Ideologia". E: "Eu vi a cara da morte/ E ela estava viva", em "Boas novas". Rico e diverso, o repertório trouxe ainda um blues, o "Blues da piedade", uma canção "meio bossa nova e rock 'n' roll", "Faz parte do meu show", grande sucesso, e o rock-sambão "Brasil", que faria um sucesso ainda maior com Gal Costa. Tema de abertura da novela "Vale tudo", da Rede Globo, "Brasil" fez um comentário social forte sobre o país, com versos como "meu cartão de crédito é uma navalha". No disco, a temática social apareceu também em "Um trem para as estrelas", feita com Gilberto Gil para o filme homônimo de Carlos Diegues. Ainda em 1988 Cazuza recebeu o Prêmio Sharp de Música como "melhor cantor pop-rock" e "melhor música pop-rock", com "Preciso dizer que te amo", composta com Dé e Bebel Gilberto, e lançada por Marina. E apresentou no segundo semestre seu espetáculo mais profissional e bem-sucedido, "Ideologia". Dirigido por Ney Matogrosso, Cazuza buscou valorizar o texto no show, pontuado pela palavra "vida". Substituiu a catarse das performances anteriores por uma postura mais contida no palco. Tal contenção, porém, não o impediu de exprimir sua verve agressiva e escandalosa num episódio que causou polêmica. Cantando no Canecão, no Rio, cuspiu na bandeira nacional que lhe fora atirada por uma fã. O show viajou o Brasil de norte a sul, virou programa especial da Globo e disco. Lançado no início de 1989, "Cazuza ao vivo - o tempo não pára" chegou ao índice de 560 mil cópias vendidas. Reunindo os maiores sucessos do artista, trouxe também duas músicas novas que estouraram: "Vida louca vida", de Lobão e Bernardo Vilhena, e "O tempo não pára", de Cazuza e Arnaldo Brandão. Esta - título do trabalho - condensou, numa das letras mais expressivas de Cazuza, a sua condição individual, de quem lutava para se manter vivo, com a do povo brasileiro. Foi pouco depois do lançamento do álbum que ele reconheceu publicamente que estava com Aids, sendo a primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Era então notória -e notável - a sua afirmação de vida. À medida que seu estado piorava, ao contrário de se deixar esmorecer ante a perspectiva do inevitável, Cazuza, ciente do pouco tempo que lhe restava, passou a trabalhar o mais que podia. Entrou num processo compulsivo de composição e gravou, de fevereiro a junho de 1989, numa cadeira de rodas, o álbum duplo "Burguesia", que seria seu derradeiro registro discográfico em vida. O trabalho seguiu um conceito dual - num dos discos, de embalagem azul, prevalecia o gênero rock; no outro, de capa amarela, MPB. Entre as suas últimas novidades, com a voz nitidamente enfraquecida, Cazuza apresentou clássicos de outros autores (como Antonio Maria, Caetano Veloso e Rita Lee) e duas músicas feitas com novas parceiras, Rita Lee e Ângela Rô Rô. A canção-título, com uma letra extensa atacando os valores da classe burguesa, chegou a ser tocada nas rádios, mas o álbum não obteve sucesso comercial e foi recebido discretamente pela crítica. Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois - a 7 de julho de 1990. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua sepultura está localizada próxima às de astros da música brasileira como Carmen Miranda, Ary Barroso, Francisco Alves e Clara Nunes



 DA FUGA 
 Perdi-me muitas vezes pelo mar, o ouvido cheio de flores recém cortadas, a língua cheia de amor e de agonia. Muitas vezes perdi-me pelo mar, como me perco no coração de alguns meninos. Não há noite em que, ao dar um beijo, não sinta o sorriso das pessoas sem rosto, nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido, se esqueça das imóveis caveiras de cavalo. Porque as rosas buscam na frente uma dura paisagem de osso e as mãos do homem não têm mais sentido senão imitar as raízes sob a terra.


Como me perco no coração de alguns meninos, perdi-me muitas vezes pelo mar. Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma
FEDERICO GARCÍA LORCA

Em comum com ele, a maneira exagerada de viver a vida, ilusões sintéticas, o "S", Kerouac e Clarice... Fundação Viva Cazuza eu recomendo
Fonte: http://www.cazuza.com.br/sec_biografia.php?language=pt_BR You Tube
http://www.cazuza.com.br/sec_viva_cazuza.php?language=pt_BR

José Alencar




Emocionante palavras dessa fortaleza chamado José Alencar!
Foi assim que tudo começou, depois de postar essa mensagem no Facebook e de uma brincadeira com uma querida... Recebi de presente, essa bendita enxurrada de informações e decidi fazer com elas uma singela homenagem mais que merecida a esse grande homem:


Muita gente não sabe que não era somente o Lula que tinha pouca escolaridade, o vice também. Esse incidente, me levou a ler sobre o vice e trouxe para você, pois achei muito interessante: José Alencar Gomes da Silva comporta várias biografia...s numa só: self made man, autodidata, homem que apoiou o golpe militar e aderiu às “Diretas Já”, representante patronal que desafiou seus pares e integrou a chapa do líder dos trabalhadores, empresário milionário que subverteu a luta de classes e se tornou vice do torneiro mecânico eleito presidente da República. E, enfim, ícone da luta contra o câncer. Típico patriarca, Alencar foi o menino pobre que estudou até a primeira série do antigo ginasial, saiu de casa aos 14 anos, abriu sua primeira loja aos 18, venceu, cresceu e construiu um império. Não satisfeito, exerceu forte militância empresarial e evoluiu para a política partidária. Apaixonou-se pelos palanques. Sonhou um dia ser presidente da República e revolucionar o Brasil. Em toda essa trajetória de sucesso, jamais abandonou as origens e a fé num país mais desenvolvido e mais justo, nem se afastou dos pais, dos irmãos e dos sobrinhos, tornando-se o eixo em torno do qual girou uma numerosa família para quem ele é simplesmente “Zezé”. Casado com Mariza, moça mais bonita de Caratinga, pai de Maria da Graça, Patrícia e Josué – o herdeiro no controle dos negócios –, Alencar tem cinco netos e duas bisnetas.Na opinião de alguns dos mais respeitados médicos brasileiros, ele é um desafio, quase um milagre. Para milhões de brasileiros, um comovente exemplo de amor à vida. É esta saga de um brasileiro com tantas histórias e “causos” para contar que chega agora às mãos do leitor pela pena sensível de Eliane Cantanhêde. 
A biografia do vice-presidente José Alencar marca o lançamento de um novo selo, Primeira Pessoa, dedicado a obras de não ficção com ênfase em biografias, autobiografias, relatos, depoimentos e livros-reportagem. É uma honra trazer à luz este novo selo com a biografia de um brasileiro que se tornou exemplo de homem público na atividade empresarial, na política e no cotidiano de luta contra o câncer. A palavra que ninguém gosta de pronunciar sai da boca do vice-presidente com a naturalidade e a transparência de quem fala de um resfriado. O câncer não é um resfriado, mas uma doença que pode e deve ser enfrentada com obstinação e esperança. Alencar tem sido um ícone para milhões de brasileiros que padecem do mesmo mal, e as páginas deste livro foram felizes em captar a inspiração que sua perseverança e vontade de viver provocam. Eliane Cantanhêde, articulista da Folha de S.Paulo, foi a responsável por flagrarcom sensibilidade única este exemplo de determinação. Chegou a acompanhar in loco uma das sessões de quimioterapia. Constatou que Alencar e seu amor à vida são capazes de injetar doses diárias de fé em quem, como ele, incorporou a quimioterapia a seu cotidiano. A coragem de Alencar fez dele um super-homem no traço de uma adolescente. Ou alguém dono de “fé inabalável” na expressão de um dos milhares de brasileiros que escreveram ao longo dos últimos oito anos para o gabinete da Vice-Presidência da República. Ou ainda um amante da vida, um homem que renasce dia após dia, cirurgia após cirurgia, internação após internação. Um dia Alencar ouviu de seu pai que o importante na vida é poder voltar. Ele de fato voltou muitas vezes. Voltou a Ubá. Voltou a Belo Horizonte. Voltou à representação empresarial depois de perder uma eleição sofrida. Voltou ao comércio de tecidos depois de uma breve incursão pela negociação de café. Voltou à Vice-Presidência, reeleito na chapa de Lula. Porém o mais importante, o que não está ao alcance de qualquer mortal, foi o retorno à vida. As palavras do pai se revelaram proféticas, e aí está o filho, de volta à vida incontáveis vezes, agora de corpo e alma à disposição dos leitores.

Fonte:Facebook

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tempos

Não adianta querer reviver o passado. O passado agora é o presente de outros. Lá não há mais nada para nós. As caras são outras, as músicas são outras , os copos são outros. É um outro mundo, que não é mais nosso passado. Esse, só existe dentro de nós, coladinho ao nosso presente. Onde também há músicas, caras e copos, do momento presente. Um lindo presente de Deus, esse tempo presente... 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma das últimas entrevistas com Clarice

Coisas de Clarice Vale a pena: Lógico! E tem muito mais por aí, por aqui, por hoje é só... Bom fim de semana para todos!

As Pontes de Madson

Sem dúvidas o filme romântico que mais mexeu comigo.
No mínimo EMOCIONANTE...



Madison County, 07 de janeiro de 1987 


Queridos Filhos, Ainda que me sinta bem, creio que é hora de por minhas coisas em ordem. 
Existe algo muito importante, que vocês devem saber... Para mim é difícil escrever isto a meus próprios filhos, mas devo fazê-lo. Aqui há algo que é demasiadamente forte, demasiadamente belo, para que morra comigo.Como já descobriram, ele se chamava Robert Kincaid. Era fotógrafo e esteve aqui em 1965, fotografando as pontes. Recordam como a cidade estava emocionada quando as fotos apareceram no National Geographic? Recordam também que por essa época comecei a receber a revista. Agora conhecem o motivo de meu repentino interesse. A propósito eu estava com ele (levando uma das mochilas com as câmaras), quando tomou a foto da ponte principal. Entendem que amei o pai de vocês de uma maneira tranqüila. Ele foi bom comigo e me deu vocês dois a quem amo muito. Não o esquecem. Mas Robert Kincaid foi muito diferente. A primeira vez que o vi foi quando me pediu orientação para chegar a ponte Roseman. Vocês e seu pai estavam na Feira Estadual de Illinois. Creia-me, eu não andava buscando nenhuma aventura. Isso era a última coisa que ocupava minha mente. Mas ao mirá-lo soube que o desejava, ainda que não tanto como cheguei a desejá-lo depois. Ele era um pouco tímido, e eu tive que perceber o que estava se passando. A nota guardada junto com sua pulseira é a que eu preguei na ponte Roseman para que ele a visse, na manhã depois de conhecermos. As fotos minhas que ele conservava foram a única prova que ele teve, ao longo dos anos, de que eu existia, de que não era algum sonho que ele havia tido. Em nossa velha cozinha, Robert e eu passamos horas juntos. Falamos e dançamos a luz de velas. E, sim, fizemos amor ali , no dormitório , no jardim e em qualquer outro lugar que pensem. Era uma relação incrível, poderosa, transcendente, e continuou durante dias, quase sem parar. Sempre tenho empregado a palavra forte ao pensar nele. Porque assim era quando nos conhecemos. Era como uma flecha na sua intensidade. Filhos, compreendam que trato de expressar algo que não se pode dizer com palavras. Só desejo que algum dia os dois possam viver o que eu experimentei.Se não fosse por seu pai e por vocês, eu teria ido a qualquer lugar com ele. Ele me pediu, me suplicou que o acompanhasse. Mas eu não pude fazê-lo e ele era uma pessoa muito sensível e afetuosa para interferir nas nossas vidas. O paradoxo é que se não houvesse sido por Robert, não estou segura de ter podido permanecer aqui por todos esses anos. Em quatro dias me deu toda uma vida, um universo, e uniu em uma só as partes separadas de mim. Nunca deixei de pensar nele, nem por um momento. ainda quando não se achava em minha mente consciente, o sentia em alguma parte, estava sempre ali. Mas isso nunca diminuiu o que sentia por vocês dois e pelo seu pai. Ao pensar só em mim por um momento, não estou segura de ter tomado a decisão correta. Mas tendo em conta a família, creio com bastante certeza que sim. Não quero que sintam culpa ou lástima por nós. Só quero que saibam o quanto amei "Robert Kincaid". Eu senti dia após dia, durante todos estes anos, o mesmo que ele, ainda que nunca mais voltassemos a nos falarmos, permanecemos unidos tão estreitamente como é possível que se unam duas pessoas. Não consigo encontrar as palavras para expressar-lo da forma adequada. Ele o fez melhor quando me disse que tínhamos deixado de ser dois seres separados, e , em troca, nos tínhamos convertidos em um terceiro, formado pelos dois. Nenhum de nós dois existia independentemente deste ser. E esse ser ficou sem rumo. Não me envergonho do que Robert e eu vivemos juntos. Eu o amei com desesperação durante todos esses anos, ainda que ,por minhas próprias razões, somente uma só vez tratei de entrar em contato com ele. Foi depois da morte de seu pai. O intento fracassou e temi que houvesse acontecido algo, Assim nunca mais voltei a tentá-lo, por causa desse medo. Simplesmente não podia enfrentar essa realidade. De maneira que agora podem imaginar o que senti quando soube da sua morte. Como disse, espero que compreendam e não pensem mal de mim. Se me amam, devem amar o que fiz. Robert Kincaid me mostrou como era ser mulher de um modo que poucas mulheres experimentaram. Era atraente e carinhoso, e por certo merece o respeito e talvez o amor de vocês. Espero que possam dar-lhe as duas coisas, a seu próprio modo, através de mim, ele foi bom com vocês.
Que sejam felizes, meus filhos. 
 Mamãe 

 Do filme - As Pontes de Madson

 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DA PAZ



Meu Senhor… 
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos débeis 
Se me dás fortuna, não me tires a razão. 
Se me dás êxito, não me tires a humildade. 
Se me dás humildade, não me tires a dignidade. 
Ajuda-me sempre a ver a outra face da medalha, não me deixes culpar de traição a outrem por não pensar como eu. 
Ensina-me a querer aos outros como a mim mesmo. 
Não me deixes cair no orgulho se triunfo, nem no desespero se fracasso 
Mas antes recorda-me que o fracasso é a experiencia que precede o triunfo. 
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza. 
Se me tiras o êxito, deixa-me forças para aprender com o fracasso. 
Se eu ofender a alguém, dá-me energia para pedir desculpa e se alguém me ofende, dá-me energia para perdoar Senhor…
se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim! 
GANDHI

Da solidão, Vinicius

Sequioso de escrever um poema que exprimisse a maior dor do mundo, Poe chegou, por exclusão, à idéia da morte da mulher amada. Nada lhe pareceu mais definitivamente doloroso. 
Assim nasceu "O corvo": o pássaro agoureiro a repetir ao homem sozinho em sua saudade a pungente litania do "nunca mais". 
Será esta a maior das solidões? Realmente, o que pode existir de pior que a impossibilidade de arrancar à morte o ser amado, que fez Orfeu descer aos Infernos em busca de Eurídice e acabou por lhe calar a lira mágica? Distante, separado, prisioneiro, ainda pode aquele que ama alimentar sua paixão com o sentimento de que o objeto amado está vivo. Morto este, só lhe restam dois caminhos: o suicídio, físico ou moral, ou uma fé qualquer. E como tal fé constitui uma possibilidade - que outra coisa é a Divina comédia para Dante senão a morte de Beatriz? - cabe uma consideração também dolorosa: a solidão que a morte da mulher amada deixa não é, porquanto absoluta, a maior solidão. Qual será maior então? 
Os grandes momentos de solidão, a de Jó, a de Cristo no Horto, tinham a exaltá-la uma fé. A solidão de Carlitos, naquela incrível imagem em que ele aparece na eterna esquina no final de Luzes da cidade, tinha a justificá-la o sacrifício feito pela mulher amada. Penso com mais frio n'alma na solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer, como a culpá-lo de o ter gerado um monstro. 
Penso com mais frio n'alma ainda na solidão total dos poucos minutos que terão restado ao poeta Hart Crane, quando, no auge da neurastenia, depois de se ter jogado ao mar, numa viagem de regresso do México para os Estados Unidos, viu sobre si mesmo a imensa noite do oceano imenso à sua volta, e ao longe as luzes do navio que se afastava. O que se terão dito o poeta e a eternidade nesses poucos instantes em que ele, quem sabe banhado de poesia total, boiou a esmo sobre a negra massa líquida, à espera do abandono? Solidão inenarrável, quem sabe povoada de beleza... Mas será ela, também, a maior solidão? A solidão do poeta Rilke, quando, na alta escarpa sobre o Adriático, ouviu no vento a música do primeiro verso que desencadeou as Elegias de Duino, será ela a maior solidão? Não, a maior solidão é a do ser que não ama. 
A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. 
Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.
 Vinicius de Moraes - in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)

Sobre o que sinto constantemente.

Uso os grandes para tentar descrever, embora nem eles tenham conseguido descrever esses sentimentos... Senêca disse que solidão, não é estar sozinho e sim vazio. 
Deve ser por isso então que até minha própria presença me é demasiada, pois estou transbordando. Eu transbordo de tudo... 
Sartre dizia; que o inferno é o outro. Concordo! 
Nietzsche; Se pudesse dar-lhe uma idéia do meu sentimento de solidão! Nem entre os vivos nem entre os mortos, não tenho alguém de quem eu me sinta próximo. 
 Enfim... sem mais

Véu de Maya.

A vida pouco a pouco vai descortinando o Véu de Maya. Me obrigando enxergar a realidade da nossa existencia, sem fantasias. Essa lucides está me enlouquecendo. Deixa-me um vázio indescritivel. Um peso insuportável. Preciso de um trago de ilusão, Um garrafa de loucura, Um comprimido de inocência. Socorro!!!!! 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Coisa de Caio e Clarice: A Carta

Em 95, o escritor Caio Fernando Abreu, então colunista do jornal O Estado de São Paulo, publicou uma carta que teria sido escrita por Clarice Lispector a uma amiga brasileira. 
Ele comenta, no artigo, que não há nada que comprove sua autenticidade, a não ser o estilo-não estilo de escrita de Clarice Lispector. 
Ele dizia: "A beleza e o conteúdo de humanidade que a carta contém valem a pena a publicação...



" A Carta Berna, 2 de janeiro de 1947 

Querida, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo. Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e dos outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu... em que pese a dura comparação... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida - que não era maravilhosa mas era uma vida - eu me transforme inteiramente. Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse e me perguntou: "Você era muito diferente, não era?". Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver. Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia - será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma. 
 Tua Clarice

Caio F.

Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu.



Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo. 
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A casa

A casa estava arrumada. Do jeito que ele gostava. 
Havia passado a tarde dedicando-se a tirar o pó impregnado dos móveis, limpando os porta-retratos, esfregando o chão de suas imundícies até sentir que as mãos estavam trêmulas e não obedeciam mais. Tomou cuidado para que cada canto, cada entrada e cada saída ficasse impecável. A casa não era grande, mas depois de todo lixo expulso, parecia maior. E agora, quase imaculada não fosse a presença dela, a casa era só solidão. Porque até a sua presença estava cheia de solidão. E ela esperava, torcendo as mãos e observando as luzes da rua, a chegada dele. Sabia que seria intempestiva, por isso arrumava a casa, uma, duas, três vezes, para que ele pudesse despejar sua bagunça. Era assim sempre. 


A casa pronta, as três batidas, ela saltava do sofá e abria a porta. Tudo se modificava. A casa branca enchia-se novamente. As cores trazidas por ele riscavam o chão, a mesa, a janela, o quadro, o teto, a cama, o tapete, os lençóis. Quase cegando-a. Já na porta, os pedaços de seu desarrumado começavam a ficar pelo chão. Ela apenas dava passagem para ele pudesse entrar e observava a poeira deitando novamente sobre os móveis. Era como um vento. As folhas de papel cuidadosamente empilhadas na escrivaninha saltavam e eram levadas para fora da janela. Um a um os porta-retratos estilhaçavam-se no chão. Não era mais só uma casa, era um emaranhado de palavras, sons, luzes e visões desconexas. E ele agigantava-se vertiginosamente aos olhos dela. Ouvia o som dos vidros serem quebrados longinquamente, de lençóis sendo rasgados e sentia o cheiro da lama misturado ao cheiro das rosas esmigalhadas. Havia uma brusquidão nos gestos, que a cada movimento acertavam-lhe um soco no estômago, mesmo sem tocá-la. Ele nunca a tocava. Ao mesmo tempo, havia certa suavidade na voz, como que parecida com uma carícia sutil. Seus olhos sugavam-na, chamando a misturar-se a ele, a compartilhar da desordem das coisas. Aquela desordem que parecia imiscuir-se nele. 


Por um segundo, apenas e somente por um segundo, que ficava suspenso no ar, ela deixava-se mergulhar, e neste segundo podia ver caleidoscópios rodopiando, portas que se abriam estrondosamente, vozes misturadas, e mãos de mil cores tocando-a. Então ela se dava conta de que ele era feito disso, ele era isso. A desordem das coisas, as mil cores, as mil vozes, as mil portas. E o aceitava como quem aceita uma criança em seu ventre. — Eu te aceito. Te aceito. — as únicas palavras no meio daquela noite, ditas sem deixar escorrer um único som. Agora ele estava dentro dela, correndo por suas veias, atravessando suas conexões nervosas e remexendo suas entranhas, pulsante, pulsante. Ela era a casa. A casa que ele desarrumava. Deixando em cada pedaço de espaço, o pó viscoso de sua imensidão. E dentro dela ele se arrumava e reconstruía cada parte sua. Abandonava ali, a lama e a brusquidão, para se tornar suave, quase harmonioso outra vez. Ela ouvia então um grito quase mudo que se esforçava para sair da garganta de alguma coisa. E como num parto, ela o expulsava de si, como num parto que faz nascer, brotar, jorrar. 


Ele nascia novamente, limpo, puro de todas as durezas, pecados e da loucura suja – nem toda loucura é suja, assim como nem todo mal é ruim – para sair pela porta e deixá-la novamente sentada no sofá, as mãos se torcendo e os olhos espiando as luzes da rua. Ele havia partido, estava sozinha. Ela e casa, que já não era mais ela. As cores apagadas e o silêncio. A casa que ela tinha que arrumar. Pois sabia que ele viria novamente no outro dia. 
Anne Luisa Nardi

Saramago

"O amor só começa a matar , quando começa a morrer . Um amor vivo não mata , dá vida..." Saramago

Caio F.


Pertencia àquela estranha espécie de pessoas que flutuam pelo mundo, sutis, evitando esbarrar em qualquer coisa. Não se sabia se procedia assim por simples delicadeza ou para defender-se. O fato é que era assim. E, portanto, desagradava-lhe aquele jeito de espera gritando alto no corpo inteiro. . . . Era o desejo de não esperar porque ele sabia que não viria, fosse lá o que fosse. Então, amargo, ele preferia cortar de início qualquer possibilidade de concretização da espera porque ele sabia, com a lucidez insone dos que apenas pressentem, a possibilidade jamais se concretizaria. 
 Caio F. Abreu

Imagens



"Agora sou uma pensão Há vagas! 
Alugo meu coração, Para qualquer bom sentimento!" 
 Cáh Morandi

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Imagens

(Des)motivo

Escrevo porque o tempo insiste e a minha vida está incompleta. Ora sou alegre, ora triste: sou poeta. Fujo das coisas fugidias, no entanto delas é que eu faço meu gozo, meu tormento e dias no traço. Nestes versos que edifico, não sei se fico ou me desfaço, – não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Este é o meu canto: um nada que é tudo, notas do tempo em que, disperso, sei-me entoando um canto mudo: – mais nada.
 Evaldo Balbino Do livro Moinho

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Como ser um grande escritor

Como ser um grande escritor você tem que trepar com um grande número de mulheres belas mulheres e escrever uns poucos e decentes poemas de amor. e não se preocupe com a idade e/ou com os talentos frescos e recém-chegados. apenas beba mais cerveja mais e mais cerveja e vá às corridas pelo menos uma vez por semana e vença se possível. aprender a vencer é difícil - qualquer frouxo pode ser um bom perdedor. e não se esqueça do Brahms e do Bach e também da sua cerveja. não exagere no exercício. durma até o meio-dia. evite cartões de crédito ou pagar qualquer conta no prazo. lembre-se que nenhum rabo no mundo vale mais do que 50 pratas. (em 1977). e se você tem a capacidade de amar ame primeiro a si mesmo mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma derrota total mesmo que a razão para essa derrota pareça certa ou errada - um gosto precoce de morte não é necessariamente uma coisa má. fique longe de igrejas e bares e museus, e como a aranha seja paciente - o tempo é a cruz de todos, mais o exílio a derrota a traição todo este esgoto. fique com a cerveja. a cerveja é o sangue contínuo. uma amante contínua. arranje uma grande máquina de escrever e assim como os passos que sobem e descem do lado de fora de sua janela bata na máquina bata forte faça disso um combate de pesos pesados faça como o touro no momento do primeiro ataque e lembre dos velhos cães que brigavam tão bem: Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun. se você pensa que eles ficaram loucos em quartos apertados assim como este em que agora você está sem mulheres sem comida sem esperança então você não está pronto. beba mais cerveja. há tempo. e se não há está tudo certo também. Charles Bukowski

Eu quero amar alguém, sem delirar



'Eu tenho que arranjar algum conforto pra viver. 
Paixão é bom, eu sei...já tive mais de mil. Mais de mil vezes eu vi que era engano, que era por mim que eu estava chorando e tanto tempo eu tento que me sirva de consolo. Eu quero amar alguém, sem delirar de novo. Se Deus existe mesmo e o amor é seu agente, então ele só pode fazer bem pra gente.' 
Cazuza 


Eu protegi seu nome por amor... 


Bernard Shaw



Uma vida inteira de felicidade? Ninguém agüentaria: seria o inferno na terra. 
Bernard Shaw

Uma verdade



Nunca prendas a quem gostar,
Pois, este deve ter a liberdade de ir e quem sabe, algum dia voltar.
Manoel Sanches

Atos e sentimentos



Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo... 
 Mario Quintana

sábado, 8 de janeiro de 2011

Governos não se suicidam

A decisão empreendida com bastante habilidade por Lula foi a correta, a acertada, a humana. Tirou Battisti da boca dos leões italianos. A mídia esconde verdadeiramente os fatos, pulverizando meias verdades. A opinião pública fica confusa e desconhece o que está por trás, verdadeiramente, dos eventos que envolvem a extradição do italiano Battisti. Chamar Cesare Battisti de terrorista, criminoso, assassino de pai de família, psicopata, é incorrer num argumento falacioso, baseado na ausência de provas concretas. Fonte: O Ser Carlino Quem tem medo do Lula?: GOVERNOS NÃO SE SUICIDAM: "Celso Lungaretti (*) Unidos contra Battisti: de relator a presidente... Os companheiros estão à beira de um ataque de nervos. As avaliaçõ..." Eu já imaginava que a coisa não era tão simples assim. Não acredito em tudo que a emprensa marrom coloca sobre Batistti, nunca acreditei.

PAZ - poema de José Inácio Vieira de Melo

A paz tenta invadir meu coração...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tudo de novo

É tempo de coisas novas, Aquelas já são ultrapassadas, Não servem mais para você. O que tentava achar ainda por aquele lugar. Não encontrará nada, jamais. O que era seu, não é mais. Não sofra, Não queira, Apenas viva o momento AGORA, Esqueça o futuro. E deixe o passado enterrado. Flôr de Azeviche

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Fabiano, um pedacinho do escritor Graciliano Ramos

"Fabiano ouviu os sonhos da mulher, deslumbrado, relaxou os músculos, e o saco da comida escorregou-lhe no ombro. Aprumou-se, deu um puxão à carga. A conversa de Sinhá Vitória servira muito: haviam caminhado léguas quase sem sentir. De repente veio a fraqueza. Devia ser fome. Fabiano ergueu a cabeça, piscou os olhos por baixo da aba negra e queimada do chapéu de couro. Meio dia, pouco mais ou menos. Baixou os olhos encandeados, procurou descobrir na planície uma sombra ou sinal de água. Estava realmente com um buraco no estômago. Endireitou o saco de novo e, para conservá-lo em equilíbrio, andou pendido, um ombro alto, outro baixo. O otimismo de Sinhá Vitória já não lhe fazia mossa. Ela ainda se agarrava a fantasias. Coitada. Armar semelhantes planos, assim bamba, o peso do baú e da cabeça enterrando-lhe o pescoço no corpo. Foram descansar sob os garranchos de uma quixabeira, mastigaram punhados de farinha e pedaços de carne, beberam na cuia uns goles de água. Na testa de Fabiano o suor secava, misturando-se à poeira que enchia as rugas fundas, embebendo-se na correia do chapéu. A tontura desaparecera, o estômago sossegara. Quando partissem, a cabaça não envergaria o espinhaço de Sinhá Vitória. Instintivamente procurou no descampado indício de fonte. Um friozinho agudo arrepiou-o. Mostrou os dentes sujos num riso infantil. Como podia ter frio com semelhante calor? Ficou um instante assim besta, olhando os filhos, olhando os filhos, a mulher e a bagagem pesada. O menino mais velho esbrugava um osso com apetite. Fabiano lembrou-se da cachorra Baleia, outro arrepio correu-lhe a espinha, o riso besta esmoreceu. Se achassem água ali por perto, beberiam muito, sairiam cheios, arrastando os pés. Fabiano comunicou isto a Sinhá Vitória e indicou uma depressão do terreno. Era um bebedouro, não era? Sinhá Vitória estirou o beiço, indecisa, e Fabiano afirmou o que havia perguntado. Então ele não conhecia aquelas paragens? Estava a falar variedades? Se a mulher tivesse concordado, Fabiano arrefeceria, pois lhe faltava convicção; como Sinhá Vitória tinha dúvidas, Fabiano exaltava-se, procurava incutir-lhe coragem. Inventava o bebedouro, descrevia-o, mentia sem saber que estava mentindo. E Sinhá Vitória excitava-se, transmitia-lhe esperanças. Andavam por lugares conhecidos. Qual era o emprego de Fabiano? Tratar de bichos, explorar os arredores, no lombo de um cavalo. E ele explorava tudo. Para lá dos montes afastados havia outro mundo, um mundo temeroso; mas para cá, na planície, tinha de cor plantas e animais, buracos e pedras. E andavam para o Sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos."
Vidas Secas - p. 130, 131,134


Pensando, há quantos anos Graciliano entre outros retratam os problemas da secas no Nordeste, e pouco, mas muito pouco se muda...

Fonte desse texto: Blog da Ana Cesar.

el precio del deseo

desde que le vendio su alma al diablo por querer besar la luna la jirafa anda despacio muy despacio como levitando y con la cabeza en las nubes .
Ontem fechei meu Orkut de vez... Hoje, não estou afim do Facebook... Há tempos, não falo no MSN Hoje, só por agora, só por aqui...

drugs the problen

De Brian De Palma, Scarface esta dentre os filmes que necessito assistir... Comecei o ano já sabendo que estou perdendo duas pessoas queridas para as drogas. Dois homens inteligentes que já foram bem sucedidos, mas que por alguns motivos cruzaram com a droga. E começaram um envolvimento muito perigoso. E que infelizmente está acabando muito mal para os dois. Nesse momento só posso pedir a Deus que os proteja. assim que possível falarei mais deles

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

não queria.

Mas é... ... insegura ao extremo...

Society

E eu, continuo me decepcionando com as pessoas. Definitivamente não as aceito, a partir do momento que começo conhecê-las vão perdendo o encanto.
Odeio frases e coisinhas jogadas no intuito de ferir, principalmente quando isso vem de alguém que julgo tão especial. Não creio que isso seja feito por mal. Mas entristece no mínimo aborrece. Eu não me acostumo com a tal sociedade. Nessas horas que compreendo mais Christopher McCandless
Esse filme foi um dos The Best em minha opinião e a trilha sonora sem comentários.




Meus livros de 2010

Livros que li em 2010 e deixaram saudades

Dez proposições para uma filosofia simples **** (r)

Roberto de Barros Freire

Humano Demasiado Humano *** (r)

Friedrich Nietzsche

Quem Mexeu No Meu Queijo ****

A Vida de Galileu *****

Bertolt Brecht

Cartas a um jovem poeta ****

Rainer Maria Rilke

A maça no escuro *** (r)

Clarice Lispector

Adotei o sistema de avaliação das em estrelinhas. De 1 a 5, quantas estrelinhas um livro merece? E você terá minha avaliação de forma bem objetiva.

Muitos livros preciso fazer releituras pois são de linguagens mais complexas rebuscadas ou técnicas. Você precisa se adaptar a eles. Nada melhor que um tempinho e uma releitura para um melhor entendimento e absorção de conteúdo. Se quiser compartilhar os seus seria muito legal.

Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos. Nelson Rodrigues

As músicas

Eles muitas vezes se expressavam através das músicas e poesias, não existe comunicação melhor.
Ele 23 de janeiro às 00:31

A gente espera do mundo e o mundo espera de nós.....

Ele 25 de janeiro às 00:50

Quero brincar o meu próprio pecado, quero morrer do meu próprio veneno

Ele 26 de janeiro às 16:14

Atarefada? Milhões de coisas para resolver? Então, vou atrapalhar ainda mais e tomar seu tempo com mais uma música.

Como é bom recordar.