terça-feira, 10 de março de 2015

A cultura e a casca de banana

Coisas do SESCTV SOMOS1SÓ


Uma das primeiras cenas do episódio A Cultura e a Casca de Banana traz o encontro entre um homem que vai visitar o zoológico da cidade e, ao se deparar com a jaula do macaco, inicia um breve diálogo com bicho.


   

O documentário questiona e aproxima o comportamento e o papel do homem e sua cultura, com expressão e leitura socioambiental do brasileiro em cruzamento com outros povos e suas culturas. Com roteiro de José Roberto Torero e Gabriella Mancini, o diálogo entre os dois personagens provoca uma tentativa para saber quem é o ser superior da história, momento em que o homem acaba se convencendo que ainda tem muito o que aprender com o macaco, numa discussão entre quem vive melhor, sendo que ambos habitam o mesmo planeta.
Com uma diferença genética menor que 5%, homem (Alex Grulli) e macaco (Daniel Ortega) se encontram em um zoológico da cidade e juntos irão discutir sobre a evolução das espécies, instinto e inteligência, alma e religião. Do diálogo quase que improvável, mas bastante realista, o homem se convence aos poucos que é preciso ter maior respeito com o resto do planeta, com os nossos companheiros de existência e todos os seres vivos. O consultor Eduardo Viveiros traz a reflexão sobre o tema neste episódio.

  A vida em sociedade


Ao contrário do que muitos podem imaginar, o homem não é o único a viver em sociedade. E essa discussão aparece no episódio a conversa no zoológico, o homem tenta provar ao macaco os benefícios que ele têm sobre todos os outros animais e do benefício principal: o de viver em sociedade. O macaco discorda totalmente e conta ao homem, como um primeiro exemplo, sobre a sociedade das formigas. Ela é organizada em sociedade, mantém no topo do formigueiro a rainha, que põe os ovos, depois vem as trabalhadoras que alimentam a chefe e os machos são a terceira casta, não trabalham e a sua função se resume apenas acasalar com as rainhas. Coletivo: pinguins se revesam durante o verão para cuidar dos filhotes Outros exemplos da vida organizada em sociedade ficam por conta de cupins, abelhas e pinguins. A abelha, por exemplo, é incapaz de viver sozinha. Suas colméias são um exemplo de organização social, com as rainhas na função de colocar os ovos, os zangões, que as fecundam, e as operárias, que cuidam de todas as tarefas. Os cupins repartem todas as tarefas, trabalham juntos na construção de casas enormes e resolvem problemas complicados de moradia, como ventilação e drenagem. Já os pinguins, que também vivem em sociedade, dividem tarefa entre macho e fêmea. Ambos se revezam para chocar os filhotes, se reunem em creches e são supervisionados por adultos enquanto os pais saem em busca de comida. Os casais ficam juntos no verão para cuidar dos filhotes e, para identificar os membros de sua família, possuem cantos e danças próprios.

O homem, o macaco e o instinto animal
Em uma das cenas do episódio
Macaco e homem comem bananas sentados no galho de uma árvore.
Há uma escada perto do homem.

MACACO 
Nós dois somos bem parecidos, né? 
 HOMEM 
Ei! 
Vai começar com ofensa? 
 MACACO 
Ofensa, não. Ciência. 
A diferença genética de um homem para um macaco é de menos de cinco por cento. 
 HOMEM 
Só?
 MACACO 
Só. Nós não somos tão diferentes assim. 
Olha bem: Nós dois somos peludos… 
 HOMEM 
Mas o homem inventou a gilete. 
 MACACO 
Nós dois gostamos de banana… 
 HOMEM 
Mas nós inventamos a banana split. 
 MACACO 
Temos quatro patas…
HOMEM 
Mas vocês não usam sapatos. 
 MACACO 
E nós dois temos instinto. 
 HOMEM 
Calma lá! Aí é diferente. Vocês só têm instinto. 
Nós temos instinto e inteligência. 
 MACACO 
Pois meu instinto me diz que vocês não passam de animais. 
 HOMEM 
E minha inteligência me diz que isso não passa de inveja. 
 MACACO 
Inveja de você? 
Tem graça…
 HOMEM 
Você até tenta, mas não consegue estar à minha altura. 
 MACACO 
Tem toda razão. 
 Macaco desce do galho e tira a escada. 
 MACACO 
Fica aí em cima sozinho. 
 HOMEM 
Ei, volta aqui! 
  
E uma das discussões giram acerca da alma do homem branco, dos índios e dos animais. 
Para o consultor Eduardo Viveiro, uma das diferentes concepções de alma tidas pelos brancos e pelos índios está nas seguintes crenças: O índio crê que as almas são iguais e os corpos, diferentes; Os brancos, que os corpos são iguais, mas as almas é que os tornam diferentes. Todos sabemos que muitas atrocidades foram cometidas pelos antigos exploradores quando começaram a circular o mundo em busca de novas riquezas.

Na busca por novos escravos, que o conquistador espanhol Diego Velazquez de Cuellar deixou registrado a ida de uma comissão de teólogos reunidos nas Antilhas, no século XVI, a fim de investigar se os índios tinham alma ou não. Após o estudo, eles decidiram que os índios tinham alma, eram gente ou coisa parecida, o que levou o conquistador espanhol a tomar a decisão de que eles não poderiam mais matar e escravizar o índio como estavam fazendo. A decisão atrapalhou os negócios e rendeu ao explorador uma nova saída: a de importar negros da África. “Globalização é uma coisa antiga”, é o que declara o conquistador espanhol, em depoimento fictício para a Série Somos 1 Só.

 Freud e a história das civilizações narcisistas
Outro depoimento fictício da série Somos 1 Só fica por conta de Sigmund Freud, o inventor da psicanálise. Freud discursa sobre a história das civilizações ocidentais, que nada mais é que uma história de feridas de narcisistas. “O homem se colocava acima de tudo, mas a cada descoberta que fazia descia um patamar em sua escala de grandeza. Ele evita pensar em suas limitações.” No episódio, Freud está na pele do ator Marcos Suchara que realizou junto do diretor Toni Venturi, uma série de ensaios até chegar ao tom de voz, ritmo e sotaques que esperavam para o depoimento. Confira aqui um trecho do ensaio e do discurso do Freud (fictício) para a série Somos 1 Só.







Ai povo foi muito bom vale a pena dar uma acessada no site para ver a programação
e mais um pouco a respeito do episódio acima.
http://www.somos1so.com.br/categorias/cultura/

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