segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cuida de mim


Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto finjo, enquanto fujo.
Cuida de mim
O Teatro Mágico

Meu mundo ficou mais colorido através dos olhos seus


Enfim, feliz me vi diante dos seus olhos, fascinado observando os movimentos do meu mundo. 
E nesse momento tudo me pareceu magia.

Não ao preconceito todo e qualquer preconceito...

Meu amigo Pedro

Macacos, bananas e pessoas sem atitude!

“Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram.

Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal o último dos veteranos, foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Se possível fosse perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui.”

domingo, 29 de maio de 2011

Coisas de Ataulfo Alves

Estava as voltas com meu bacalhau e lembrei da Amélia, lembrando de Amélia, lembrei de Ataulfo,  lembrando de Ataulfo e tomando vinho me empolguei em procurar mais músicas, encontrando-as lembrei de vocês, claro. 
E aqui está um pouco de Ataulfo Alves para dar mais cor e cadência a esse domingo nublado:

"Ponha um pouco de amor numa cadência, E vai ver que ninguém no mundo vence, A beleza que tem um samba, não."











O cordão partido





"Talvez nos encontremos de novo, mas ali onde você me deixou Não me achará novamente." 
( Bertold Brecht )


Meus livros, minha luz!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sobre educação

Por Zelig Libermann

Em 1998 a revista Veja publicou uma matéria com o título: “Melhores do que os pais”. Referindo-se a uma geração de crianças e adolescentes que, em função dos avanços educacionais e científicos, mostrava-se com grandes perspectivas futuras, o texto desperta a atenção para uma sutil tendência, calcada em aspectos racionais, de desvalorização da figura dos pais e professores. Segundo alguns entrevistados, “Eles [os jovens] são filhos da tecnologia da informação. Quem faz a cabeça deles, mais do que os pais, são os estímulos do mundo moderno”. Ou então, “Os professores precisam estar preparados para receber na sala de aula alguém que sabe mais do que eles. Se não forem treinados para lidar com essas crianças, vão perder a vez.”

Longe de negar a importância da evolução científica ou de desvalorizar os jovens, e sem a intenção do discurso nostálgico em defesa dos “velhos tempos”, cabe levantar uma questão: porque o relato sobre os avanços da nova geração é acompanhado de uma desvalorização do contato com a geração precedente?

A idéia de que os jovens, por contarem com tecnologia e máquinas, poderiam prescindir das influências das figuras paternas e de seus substitutos (no caso os professores) relega a um segundo plano não só papéis sociais estruturantes do psiquismo, como também os laços afetivos que envolvem o ser humano.

De acordo com Carmem Steiner, na vida contemporânea consolidou-se um modelo que diminuiu patologicamente o espaço para o diálogo, para falar dos fatos, imagens, relatos e afetos do mundo cotidiano.

A evolução tecnológica tem como contrapartida a emergência de um poder ilusório que acena com a possibilidade de satisfação imediata dos ideais narcisistas, na qual “(...) certo poder é delegado a um objeto com a ilusão messiânica de conjurar definitivamente a ameaça do abandono e do desamparo”. A possibilidade de negar a dependência afeta também os regulamentos sociais básicos e suas representações sociais correspondentes. Segundo Milmaniene, vivemos em “um mundo no qual a defecção estrutural da figura paterna” gerou, entre outros efeitos, a perda de valores e ideais, uma realidade em que se perdem limites, dignidades e hierarquias simbólicas, a desvalorização do pacto com a palavra e a emergência da violência irracional sem código, que busca a destruição gratuita do Outro.

Assim, não parece um simples acaso que, sete anos depois, em maio de 2005, a revista Veja publique a reportagem “Com medo dos alunos”, na qual mostra a falta de disciplina e o desrespeito total dos alunos para com os professores, não em escolas de periferia violenta das grandes cidades, mas em colégios de classe média alta. Segundo a revista, trata-se de um “fenômeno de subversão do senso de hierarquia”, em que os pais, “sentindo-se culpados pela omissão [seria “o domínio de Ninguém” e/ou da culpa coletiva?], evitam dizer não aos filhos. É uma relação contraditória. Entregaram a educação dos filhos aos colégios, mas alguns acham exageradas as exigências escolares ou as punições impostas aos indisciplinados”. Por fim, ao contrário do texto anterior, a reportagem reconhece que “a autoridade do professor é importante no processo de aprendizagem do aluno”.

Penso que as reportagens constituem dois momentos de um processo. Na primeira, conforme vimos acima aparece uma tendência a desfazer representações sociais importantes. Traçando-se uma linha de continuidade com os fenômenos psíquicos individuais, o obstáculo a estabelecer ligações com representações internas na mente do indivíduo gera, muitas vezes, uma angústia intensa que pode levar o sujeito a ocupar o espaço vazio com manifestações de agressão.

A dificuldade dos pais e professores no trato com os jovens, relatada na segunda reportagem, representa uma insuficiência de representações com a conseqüente confusão dos limites necessários à constituição do psiquismo, gerando a possibilidade da emergência de uma violência sem código.



Achei esse trecho interessante e atual, apesar da publicação já ter alguns anos, faz parte do:

Trabalho apresentado na mesa-redonda “A ausência do poder e suas conseqüências psicopatológicas”, no XX Congresso Brasileiro de Psicanálise. Brasília. 11-14 de novembro de 2005.
Psicanalista. Membro-Associado da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre

“Então, minha querida Amélie




...não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, então, com o tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço como meu esqueleto. Então, vá em frente, pelo amor de Deus".
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Descobrindo as ordens e as desordens



Os anos foram passando Mariazinha crescendo descobrindo o mundo.

Com mais ou menos oito anos, como de costume fora a missa das 18 horas no convento com sua avó, nesse dia colocou uma saia um pouco acima do joelho, isso lhe rendeu uma chamada daquelas de umas das religiosas (*de vida ativa, que ficava no meio dos fieis na hora da missa).
Jamais se esqueceu e de alguma forma marcou seu modo de vestir por toda a vida. Até hoje não se senti a vontade com saia curta.

Nos primeiros anos da adolescência conheceu outras religiões. Buscando Deus em todo canto onde diziam que ele estava. Conheceu os Mórmons, conheceu a Umbanda, foi evangélica, mas seu desejo pela vida religiosa perdurava.

Chegou trabalhar no Mosteiro cobrindo uma licença maternidade de sua mãe, o mesmo onde teve seu primeiro contato com elas.
Mas uma frase a comoveu e começou jogar-lhe para realidade.
Todas as manhãs das segunda-feiras algumas delas iam para a lavanderia lavar a roupa da semana, em um desses dias dia ela ouviu uma das religiosas dizendo:
“Mariazinha” não pode ser uma religiosa ela é filha mais velha tem suas obrigações com sua família, é de família humilde, talvez isso não seja vocação e sim uma fuga de sua triste realidade.
É, até podia ser.
Essa frase marcou. Apesar de não ter desistido algo nela se partiu naquele momento. Já estava mais velha, já percebia melhor as coisas e viu que por baixo daqueles hábitos e rostos angelicais se escondia algo nem tão admirável assim.
Entendeu que naquele mosteiro onde seus avós e pais trabalharam boa parte da vida e onde ela tivera o primeiro contato com a vida religiosa , onde ela fizera sua primeira comunhão como uma santinha,  ela não seria bem vinda.
E também já não queria mais aquele lugar.

Nessa mesma época veio parar em suas mãos um livro, que continha a história de cada Ordem Religiosa de Monjas de Clausura e Semi Clausura do Brasil. Esse livro contava um pouco de cada fundadora, geralmente uma santa, de como era a rotina dentro dos mosteiros, quais eram os votos, quanto tempo levava do postulado até os votos perpétuos. Falava dos pré requisitos necessários, continha o endereço e telefone de cada mosteiro do Brasil. E ela começou sua peregrinação.

Na primeira briga com seus pais fugiu de casa, mas ao contrario da maioria das meninas não foi para casa de nenhuma amiguinha, fugiu para uma cidade próxima conhecer um mosteiro e lá passou todo o fim de semana para loucura dos mesmos. Voltou três dias depois, os pais já desesperados e ela com um convento a menos em sua lista. E isso se repetiu algumas vezes, brigava em casa, pegava o primeiro recurso que via pela frente seu guia e sumia. E assim conheceu algumas ordens.

Ela sempre buscava mosteiros que fossem no meio da mata, afastado da civilização, de ordens as mais rígidas possíveis.
O que ela buscava mesmo o era a autoflagelação, os pés descalços, o silencio absoluto, voto de pobreza,** e castidade***.

Nessa época vieram religiosas até de outros estados para conhecê-la já que para outro estado ela não tinha condição de viajar nem idade para isso.
Mas, nos frigir dos ovos, acabou ficando por ali mesmo.
Em um monastério de sua própria cidade.
Entrou como uma semi-interna, passava o dia dentro do mosteiro trabalhando na fabricação da hóstia sagrada o Corpo de Cristo. A noite saia para estudar, voltava e dormia no mosteiro, mas ainda do lado de fora da clausura.
Junto com as demais moças de outros estados......

* Religiosa de vida ativa: a religiosa que tem os votos, mas pode sair à rua, geralmente é a que cuida dos assuntos burocráticos do convento. Que leva as outras para médico e tudo mais.

** Esse não seria nenhum sacrifício ou novidade, sua vida sempre foi uma pobreza, só que sem votos.

***A castidade também não seria problema, já que um amante ela encontrava em qualquer lugar. Pois todos os mosteiros, por mais pobre que fosse, tinha um travesseiro, mesmo que fosse fino e de má qualidade o restante sua imaginação fértil se encarregava de fornecer, ela desde cedo não era muito exigentes com os amantes.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Poema-Tempo

 
Quem tem olhos pra ver o tempo
soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele
soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)

acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando 



Viviane Mosé poema do livro Pensamento no Chão


Fonte::http://www.vivianemose.com.br

Olhos nos olhos


Especial Nietzsche - Viviane Mosé - Café Filosófico (Exibido dia 29.03.2009).avi

Vale muito a pena dar uma olhadinha:

Especial Nietzsche - Viviane Mosé - Café Filosófico (Exibido dia 29.03.2009).avi

A palavra




Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.
Alguns usam palavras raras.
Poucos ostentam caras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras você se despe?
Viviane Mosé


A alegria e a tristeza




E depois uma mulher disse, Fala-nos da Alegria e da Tristeza

E ele respondeu:

A vossa alegria é a vossa tristeza mascarada.

E o mesmo poço de onde sai o vosso riso esteve muitas vezes cheio de
lágrimas.

E como poderá ser de outra maneira?

Quanto mais fundo a tristeza entrar no vosso ser, maior é a alegria que
podereis conter.

A taça que contém o vosso vinho não é a mesma que foi feita no forno do
oleiro?

E a lira que vos apanigua o espírito não é da mesma madeira com que foram
esculpidas as facas?

Quando estiverdes alegres, olhai bem dentro do vosso coração e descobrireis
que só aquele que vos deu tristezas vos dá também alegrias.

Quando estiverdes tristes, olhai novamente para dentro do vosso coração e
vereis que na verdade estais a chorar por aquilo que foi a vossa alegria.

Alguns de vós dizeis, "A alegria é maior que a tristeza" e outros dirão "Não, a
tristeza é maior".

Mas eu digo-vos que são inseparáveis.

Khalil Gibran


E quando te houveres consolado ( a gente sempre se consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa, por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: "Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!" E eles te julgarão maluco.
Saint-Exupery

Meus queridos



A Casa sempre foi pra mim algo terapêutico e também uma forma de dividir o que aprendo.

Quando estou decepcionada com o mundo real, mergulho no virtual de cabeça. E nesses mergulhos encontro lindos corais, em meio a esses corais encontro pérolas, coisas diferentes, coisas estranhas (à primeira vista). E tudo que me interessa trago para Casa para dividir com vocês. Mas às vezes tenho que subir a superfície para respirar. Pisar em terra firme, sentir a brisa no rosto. Viver o real e tentar construir algo bom, algo que eu não tenha tanta necessidade de fugir. E é isso que estou tentando fazer. Por isso a enxurrada de postagens tende a diminuir. Tenho um monte de coisas guardadas para postar, mas nenhuma delas me inspira. E não consigo dividir o que não me toca. Aqui na casa toda postagem é de alguma forma minha imagem refletida. Meus pensamentos expressados pelo outro. Ou rabiscado por mim mesma.

 Apenas o que me toca. E assim que tem que ser.

Acredito que esteja entrando na "fase azul".

Sinto um chamado da realidade

Sou expectativa, sou medo, sou desejo, sou feliz no momento.

É claro que essa fase também irei dividir com vocês, mas com mais calma e em doses homeopáticas.

Até

segunda-feira, 16 de maio de 2011

SER CHIQUE



Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo.

Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.

É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É "desligar o radar", “o telefone”, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos, sem levar nada material deste mundo.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!



......

Por GLÓRIA KALIL

O VELHO Chico Buarque 1968








O velho sem conselhos
De joelhos 

De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não se sabe pra que veio
Foi passeio
Foi Passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco 

Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

O pior vírus da Terra

 
By Albrecht Dürer 


Cuando era niño me enseñaron que los virus eran 

letales! El polio , sarampión, etc. Así que me pusieron 

muchas vacunas. 

Al crecer vi el SIDA y otras cosas terribles. 

Pero que equivocado estaba. 


EL PEOR VIRUS EN LA TIERRA ES EL HOMBRE!
Macky Hans Vasudeva



domingo, 15 de maio de 2011

SOCIEDADE VIVA CAZUZA

Colaborem com a:

Acervo Cazuza

Visitem:

Escurinho

Acordei cantarolando essa, mas sem plantar bananeira na cozinha...
O companheiro estranha um pouco mas...

Sartre






Eu sei que nunca mais encontrarei ninguém que inspire uma paixão.
Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém.
É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira.
Há até um momento, bem no início,
em que é preciso saltar por cima de um precipício:
Se refletirmos, não o fazemos.

Sei que nunca mais saltarei...

Jean-Paul Sartre

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Coisa dos Deuses



Algo assim...

Enchantagem

De tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja quem quer que seja
tem calendário de tristezas celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

Paulo Leminski 


:)



O tolo possui uma grande vantagem sobre o homem de espírito; está sempre contente consigo mesmo
.
Napoleão Bonaparte

Coisas de Hermann Hesse





"Nada posso lhe oferecer que não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." (Demian)

"Quando se quer algo verdadeiramente e com suficiente força, acaba-se por consegui-lo sempre." ( Demian)

"O acaso não existe. Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso. (Demian)

"Intolerante deveria o homem ser, segundo penso, apenas para consigo mesmo, não para com os outros ."

"Tudo quanto não for por nós levado até ao fim, tudo quanto não tiver uma solução completa, um dia ou outro retornará."

"A cultura humana surge graças ao enobrecimento dos instintos animais transformados em ânsias espirituais, através da vergonha, da fantasia, do conhecimento ."

"Quanto menos tivermos medo de nossa própria fantasia, que na vigília e no sonho nos faz criminosos e animais, tanto menor é o perigo de, na verdade, sucumbirmos a este mal."

"Não devemos fugir da vida ativa para nos refugiar na contemplativa. Nem vice-versa. Antes, devemos oscilar entre uma e outra, sentir-nos em ambas como em casa, compartilhar de ambas."

"Um dia ou outro, todos têm de dar o passo que os separa de seus pais, de seus mestres. Cada um de nós precisa provar da aridez da solidão, embora a maioria dos homens mal a possa suportar e, tão logo a saboreiam, voltam a rastejar."

'Sofremos o amor, mas quanto mais generosamente o sofremos, mais fortes ele nos faz."

"Sabemos todos, por experiência, quão fácil é nos apaixonar e quão difícil e belo é amarmos realmente. Como todos os valores reais, não se pode vender o amor. Há prazeres que se vendem; o amor, não."

"Os artistas e os poetas são, com freqüência, amantes apaixonados, mas raramente bons maridos. É que o artista vive antes de tudo para sua obra. O amor que lhe resta para dar aos outros é, antes, bastante escasso, visto o muito que dele exige a dedicação ao trabalho artístico."

"O mal surge sempre lá onde não chega o amor."

"O que é mais importante em nossa vida, nós o vivemos antes dos nossos quinze anos."

"Para mim, o uso da força é proibido em quaisquer circunstancias, ainda que no interesse do "Bem."

"O macio é mais forte do que o duro. A água, mais forte do que a rocha. O amor, mais forte do que a violência."

"A trajetória de nossa vida pode parecer definitivamente marcada por certas situações. Nossa vida, entretanto, conserva sempre todas as possibilidades de mudança e conversão que estiverem ao nosso alcance. E tais possibilidades são tanto maiores, quanto mais abrigarmos em nós de infância, de gratidão, de capacidade de amar."

Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim.
 Porque isso me era tão difícil?

Eis a mensagem — dolorosa busca da
própria razão de existir: ser é ousar ser

Havia histórias assim, de filhos transviados, que eu lia com verdadeira paixão. 

O que nelas mais louvava o que redimia toda a culpa era o retorno ao lar
paterno, ao bem, e me certificava de que essa era a única atitude
legítima, boa e desejável; não obstante, atraía-me muito mais a parte
da história que se desenrolava entre as gentes perversas e a conduta
dos perdidos, e, se isso fosse possível, ter-me-ia confessado que às
vezes era uma verdadeira lástima que o filho pródigo se arrependesse
e voltasse para casa. Mas isso não se podia dizer, nem mesmo em
pensamento. Não era em mim mais do que um vago sentimento,
oculto no mais íntimo de meu ser, algo assim como uma suspeita ou
uma obscura possibilidade.



Comecei ler Demian. 
Estou adorando, resolvi postar alguma coisa de seu autor e que autor. 

Em uma busca no Santo Google pela imagem de Hermann Hesse tive o prazer de chegar a esse Blog:http://armonte.wordpress.com MUITO BOM!
Quem quiser conhecer um pouco mais de Hesse, fazer uma visitinha ao Alfredo Monte é uma boa pedida. Um trechinho do que encontrei por lá:


Pré-Clarice Lispector (que, aliás, sofreu forte impacto com a leitura de O Lobo da Estepe) e seus inquietantes textos, e muito à Heidegger, Hesse nos mostra que é impossível manter um enfrentamento direto da realidade do mundo por muito tempo, uma vez que essa experiência “na realidade nua jamais dura muito tempo, pois carrega em si a morte, sempre que ataca uma pessoa e a lança no tremendo redemoinho ela dura exatamente o tempo em que alguém a pode suportar; depois termina com a morte ou a fuga desabalada de volta para o não-real, o suportável, o ordenado, o previsível. Nessa zona suportável, morna e ordenada dos conceitos, dos sistemas, dos dogmas e alegorias, vivemos nove décimos de nossa vida”.

http://armonte.wordpress.com/2011/03/10/

[Recado direcionado]
Lembrei-me de ti.

Sumiu

Ah sumiu minha última postagem... :( 
Sumiu comentários, sumiu....
Só não some esse gosto horrível de remédio da boca.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sobre paixão



Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar
contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.


Charles Bukowski



E eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda

a minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me

interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos,

os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para

serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles

que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam,

queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício, explodindo

como constelações em cujo centro fervilhante — pop —

pode-se ver um brilho azul e intenso.


Jack Kerouac em “On the Road”

Você acha que sabe?

Vamos viajar?

Ilusão de ótica

Folhas Flutuando
Os objetos em forma de folhas marrons contra um fundo verde fazem parecer como se todo o grupo estivesse fluindo em forma de ondas Se você se concentrar sobre a imagem como um todo.

Redemoinho Pulsante

Se você olhar para esta imagem um tempo suficiente você vai observar um redemoinho multicolorido
 rápido e pulsante.

Ondas















Hipnose













Embora esta imagem seja composta de simples quadrados roxos e verdes com contorno em preto, nos dá a sensação de que ela está sendo esticada no centro.

Caleidoscópio

Formas azuis, pretas, verdes e brancas parecem ser cinco caleidoscópio diferentes que giram em relação a seus centros.

Buraco de Minhoca
As linhas circulares em preto e branco fazem parecer como se existissem várias profundidades na imagem.

Estrelas Explodindo
Se você olhar para o centro da imagem, é como se os anéis exteriores estivessem girando em direções alternadas, um efeito que hipnotiza o espectador.



Terminei a postagem estava doidinha...
Viajando com essa música e imagens. 
A propósito essa música é tudo de bom...



Ontem vendo o CQC

No primeiro instante me veio a repulsa.
Depois a admiração e "inveja" do Danilo Gentili.
Pensei melhor e fiquei só com a admiração pois tem que ter estômago e sangue frio para ficar cara cara com essa podridão toda, sem vomitar ou partir para a violência contra esses inclassificáveis.

E a pergunta que gritou aos ouvidos foi:

Porque a comissão de ética tem tanta gente com ficha suja?
Dos 15 integrantes da comissão de ética oito tem seus nomes envolvidos em escândalos e processos.

Entre eles: 
Roberto Requião
Renan Calheiros
Romero Juca

Minha gente a coisa é clara:
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
E ladrão que julga ladrão sempre dará absolvição...
Eles levam a sério aquele preceito do Evangelho que diz; "Não queirais julgar para que não sejais julgados".

Bem para terminar MEUS PARABÉNS A EQUIPE DO CQC!!!


E quem quiser embrulhar um pouco o estômago e saber  mais sobre a sacanagem geral indico:

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Muito bom! Luis Felipe Pondé e Márcia Tiburi

Os apimentados Luis Felipe Pondé e Márcia Tiburi
Em um delicioso debate filosófico sobre relacionamentos.
Sobre homem e mulher. Vale à pena dar uma conferida.











Assistam tudo se possível.
Do contrario, vejam pelo menos o 1 e 2 e o 7 e 8


Ele me ganhou com essa música :)

Coisas de Raul



"Sou tão bom ator que finjo ser cantor e compositor e vocês acreditam."

"A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal."

"Ninguem tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender."

"Todos os partidos são variantes do absolutismo. Não fundaremos mais partidos; o Estado é o seu estado de espírito."

"Só há amor quando não existe nenhuma autoridade."

"O sonho do careta é a realidade do maluco."

"A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE."

"Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida."

"Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio."

"Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez."

"Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos."

"A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas."

"De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente."

"Nunca é tarde demais pra começar tudo de novo."

"Há Homens que nascem póstumos."

"Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo."

"Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu."

Raul Seixas





Reelaboração,Paráfrase,Tradução, Paródia,Plágio e Retificação

Uma das mais conhecidas maneiras de reelaborar um texto é o PLÁGIO caracterizado pela apropriação ou imitação ilícita de um texto alheio. Outras formas de reescrever um texto, como a paráfrase e a paródia, não são consideradas ilícitas.

A nova “Gramática Houaiss da Língua Portuguesa” (*) explica a diferença entre o plágio, a paráfrase, a paródia e outras formas conhecidas de reelaboração de texto.

Leia abaixo breve trecho do livro que define as formas mais conhecidas de reelaboração de texto.

Reelaboração - A reelaboração consiste em produzir um texto (texto meta) derivado de outro (texto fonte). A relação entre os dois é geralmente de todo e todo. Entre os modos de reelaborar um texto, cinco são bem conhecidos, como segue.

Paráfrase - A paráfrase consiste em refazer um texto fonte em função de seu conteúdo. É uma categoria que abrange resumos, condensações, atas, adaptações relatórios.

Tradução - Tradução é uma variedade de reescrita de um texto, em que o texto meta é reelaborado em uma língua diferente daquela em que foi produzido o texto fonte. Tradução e paráfrase mesclam-se no gênero 'tradução adaptada', comum quando se trata de traduzir obras literárias muito extensas para o público infantil ou infanto-juvenil.


Paródia - A paródia é a recriação de viés crítico, com intenção cômica ou satírica. Na paródia, o texto fonte não é apenas o ponto de partida. Ele permanece entrevisto no espaço do texto recriado, sem o que se perde o efeito de sentido da paródia.


Plágio - O plágio consiste na apropriação ou imitação, essencialmente ilícita, de texto alheio. Pode ser parcial ou total, distinguindo-se da paráfrase e da paródia por ocultar seu processo de criação. A facilidade, criada pela internet, do acesso a textos alheios aumentou consideravelmente a prática do plágio nos meios acadêmicos.

Retificação - A retificação consiste no ato discursivo pelo qual o enunciador corrige ou modifica uma palavra, uma construção, uma formulação com o propósito de tornar a expressão mais precisa ou mais adequada. O alvo da retificação é normalmente um fragmento de texto, e pode ser extraído de um discurso alheio ou do discurso em processo do próprio enunciador, como nesta passagem de Nelson Rodrigues:

"(O pintor) punha no colarinho uma gravata feérica ou, melhor dizendo, uma gravata que era um repolho multicolorido." [RODRIGUES, 1993: 225]

Já redigida de acordo com a nova ortografia, a nova “Gramática Houaiss da Língua Portuguesa” explica o funcionamento das regras do português de maneira clara e oferece ferramentas para interpretação e redação de texto.

(*) O autor é José Carlos de Azeredo, doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor adjunto do Instituto de Letras da UERJ. Azeredo é autor também de “Escrevendo pelo Nova Ortografia”.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u487420.shtml

Quase - Sarah Westphal

Não precisa ser para sempre, mas precisa ser até o fim!



Por Rosana Braga

Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.

O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.

Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”. Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.

Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e – depois de todas as tentativas – nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.

Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):

... “Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar” ...

Porque de corações partidos por causa de um amor vivido pela metade as ruas estão cheias. Assim como de almas que perambulam feito pontos-de-interrogação, a se questionar o que mais poderiam ter feito para que o outro também estivesse presente, para que não fugisse tão furtivamente, tão covardemente, tão sordidamente.

É por isso que insisto: muito mais do que nos preocuparmos com o ‘para sempre’, precisamos começar a investir no ‘até o fim’, para que o ‘agora’ tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida, menos prostituída, que realmente valha a pena.

Então, questione-se: o coração ainda acelera quando o outro se aproxima? O peito ainda dói de saudade? O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite? Não chegou ao fim! Não acabou.

Sei que, em alguns casos, motivos de força maior impedem um amor de ser vivido (e daí a separação pode ser sinal de maturidade), mas na maioria das vezes o que afasta dois corações é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho.

O outro não quer? Desistiu? Acovardou-se? Ok! Por mais incoerente que pareça, é um direito dele. Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance e depois... bem, depois recolha-se e pondere: “pros amores impossíveis, tempo”.

Tempo em que você terminará descobrindo que a vida tem seu jeito misterioso de fazer o amor acontecer, mas que – no final das contas – feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!

Fonte:www.rosanabraga.com.br

Procura-se beijos que satisfaçam



Por Rosana Braga

A impressão que tenho é de que estamos todos tentando satisfazer um mesmo desejo, porém de maneira tão individualista e ansiosa que perdemos a noção do que realmente importa.

Assim, a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia. Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a “ter” cada vez mais. Um celular novo, um sapato de outra cor, uma jaqueta diferente, uma viagem em suaves prestações...

E enquanto isso, nos sentimos cada vez mais vazios. Nossa voz interna faz um eco que chega a doer; e tudo o que poderia nos fazer sentir melhores seria “apenas” um pouco de carinho.

A carência é tão grande, a sensação de solidão é tão forte que nos dispomos a pagar por companhia, por uma remota possibilidade de conseguir um pouco de carinho. Talvez você argumente: “de forma alguma, eu nunca saí com uma garota ou um garoto de programa; jamais pagaria para ter carinho!”.

Pois é, mas não é de dinheiro que estou falando. Estou falando das escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto; das relações sexuais fáceis e fugazes, da liberação desenfreada de intimidade, da cama que chega às relações muito antes de uma apresentação de corações... Expomos nossos corpos, mas escondemos nossos sentimentos de qualquer maneira!!!

Ou, ao contrário de tudo isso, estou falando da amargura e do mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto...

Enfim, os extremos demonstram exatamente o quanto pagamos. De uma forma ou de outra, estamos pagando pelo carinho que não damos e pelo carinho que, muitas vezes, não nos abrimos para receber.

Ou seja, se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto “prometem” as revistas femininas, as cenas equivocadamente exageradas das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é? Mas não estamos, definitivamente não estamos!

Sabe por quê? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita. Não se trata de contar quantas vezes já esteve com alguém para saber se já pode transar sem ser chamada de ‘fácil’...

Trata-se de disponibilidade para dar e receber afeto de verdade, sem contabilizar, sem morrer de medo de parecer tolo; sem ser, de fato, pegajoso ou insensível... apenas encontrar a sua medida, o seu verdadeiro desejo de compartilhar o seu melhor!

Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam, sobretudo, fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações.

Talvez você pense: mas eu não tenho ninguém que esteja disposto a fazer isso comigo, a me dar este presente. Pois é. Esta é a matemática mais enganosa e catastrófica sob a qual temos vivido. Quem disse que você precisa ficar à espera de alguém que faça isso por você?!?

Não! Você não precisa, acredite! De pessoas à espera de soluções o mundo está farto! Precisamos daqueles que estão dispostos a “serem” a solução! Portanto, se você quer vivenciar o amor, torne-se o próprio amor, o próprio carinho, a própria carícia. Torne-se a diferença na vida daqueles com quem você se relaciona, para quem você se disponibiliza.

A partir de hoje, ao invés de sair por aí dizendo que vai “beijar muuuuito”, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Beije sim, sem se preocupar se é muito ou pouco. Beijar é bom, muito bom, sem dúvida; mas empenhe-se antes em trocar afeto, em se relacionar exercitando o respeito pelo outro, o respeito por si mesmo... e estou certa de que os encontros valerão muito mais a pena!


Fonte:www.rosanabraga.com.br

domingo, 8 de maio de 2011



Feliz Dia das Mães Queridas!



Minha mãe



Ela tinha apenas 14 anos quando eu cheguei, crescemos juntas. 
Aprendemos juntas, enfrentamos o mundo e infortúnios juntas. 
Fugimos juntas, choramos juntas, lemos muito juntas. 
Hoje 500 km mais ou menos separa nossos corpos, mas em coração, continuamos juntas.
As lágrimas começam a rolar, queria aquele abraço, aquele tão difícil de acontecer entre nós...
Vou te ligar....
Te amo Mãe obrigada por tudo sempre.

Coisas de mãe


Te amei no segundo em que ouvi os batimentos do seu coração. Te amei no minuto em que nasceu. Quando vi sua carinha fiquei ainda mais apaixonada. Você só tinha 1 minuto de vida e já sabia que morreria por você, e hoje ainda penso assim. Quando escolhemos ter filhos, tomamos a decisão consciente de permitir que o nosso coração possa caminhar fora do nosso corpo.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Livro do Desassossego



de Bernardo Soares

“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.

Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)


O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo.


Meus queridos esse foi o resultado de um teste que fiz no site abaixo, achei bem interessante o título era: 
Que poema de Fernando Pessoa é você? 
E claro não tinha um mais apropriado para minha pessoa.