sexta-feira, 10 de junho de 2011


O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dele é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dele que não sei como o desejar.

Se o não vejo, imagino-o e sou forte como as árvores altas.
Mas se o vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dele.
Toda eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dele no meio.
Alberto Caeiro

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