domingo, 17 de julho de 2011

Sempre acaba...





Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo
não pode durar. Não, ela não está se referindo ao
fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca
dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais
voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-
lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja.
Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a
mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela
doce, arde, arde, flameja...



CLARICE LISPECTOR

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