quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Já te avisei...




"Nada se leva. 

A não ser a vida levada 

que a gente leva." 

Paulo Leminski

"É melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado"

Ela tem problemas em ouvir “nãos”.

é a certeza que me move...

Acredite, nós nos amaremos muito ainda.
Você verá!
Algum dia você verá em mim sua princesa de copas.
Enquanto isso siga com sua realidade segura.
Mas Alice e seu pais das maravilhas é seu destino final.

Vítimas


Não confio em "vítimas". Explico-me, antes que o plantão dos humilhados e ofendidos grite. Claro que existem vítimas no mundo. Brancos que escravizaram negros, negros que comercializaram negros, homens que batem em mulher, mulheres que torturam homens que as amam até destruir neles qualquer resto de dignidade, gays que perseguem pessoas porque são diferentes deles (surpresa?), homofóbicos, crianças espancadas em casa e humilhadas nas escolas por outras crianças, enfim, há vítimas por todos os lados. Não me refiro a este tipo de vítima "óbvia" quando digo que não confio em "vítimas".

No caso das crianças então, eu aconselho a leitura do sensacional "Senhor das Moscas", de William Golding, pra quem afirma que o mundo seria melhor se deixássemos a "criança que existe em nós" ensinar os adultos maus como governar a sociedade. Risadas...

Neste livro, crianças abandonadas ao seu destino num local desconhecido criam uma sociedade cruel, autoritária e injusta, aos moldes do humano, demasiado humano. Somente ingênuos sem cura e mentirosos podem confiar na bondade das crianças.

De certa forma, elas são mais cruéis do que adultos, porque estes respondem de modo mais fácil aos constrangimentos morais baseados na "economia de interesses mútuos" (se você tem algo que me interessa, tendo a ser mais condescendente com você) e na vergonha social (não basta à mulher de Cesar ser honesta, ela deve parecer honesta). Estes são dois pilares essenciais do convívio moral coletivo.

Crianças são mais "livremente" violentas e invejosas. Humilham os mais fracos de modo despudorado, excluem qualquer um que seja "diferente" e gostam de esfregar na cara dos mais pobres tudo o que têm. Chato, não é? Também acho, mas fazer o quê?

Quando digo que não confio em "vitimas", refiro-me àquele personagem que toda família tem pelo menos um.

Você identifica facilmente uma dessas "vítimas" em reuniões de fim de ano ou em festas familiares fazendo o culto de si mesmas. Elas comumente acusam aos outros de "só pensarem em dinheiro" e de serem insensíveis. Normalmente essas "vítimas" não conseguem ganhar dinheiro e vivem graças à ajuda dos outros -claro, os mesmos que "só pensam em dinheiro".

Outro traço é a "sensibilidade aguçada" e uma "outra qualidade de consciência" -esta, então, é o fim da picada. Normalmente, pessoas assim adoram "arte-terapia". O apego à espiritualidade interesseira também é muito comum.

A "sensibilidade aguçada", então, me emociona (risadas). Elas choram com facilidade diante da própria sensibilidade. Aliás, este choro seria uma prova de sua qualidade de consciência maior do que a dos outros, aqueles miseráveis seres endurecidos pela aspereza infernal que acomete os que são obrigados a pegar a vida pelos cabelos e domá-la a cada dia, sem perdão.

Na realidade, estas "vítimas" costumam cobrar dos outros aquilo que elas nunca dão: atenção, cuidado, amor desinteressado, lealdade.

Experimente pedir a uma delas alguma coisa: estarão ocupadíssimas com alguma coisa "superimportante" naquele momento "superimportante" de suas vidas "superimportantes".

Pessoas assim costumam ser muito sensíveis ao sofrimento dos cães e gatos. Choram se virem algum animal sofrendo -mais uma prova de sua superioridade ética (risadas). De novo, antes que o plantão dos humilhados e ofendidos de alguma ONG a favor de piolhos sem lar grite, adoro cães, não tanto gatos. Mas eles também têm "direito" à felicidade, claro.

A chave para o amor aos animais neste tipo de "pessoa sensível" é que amar animais é muito mais fácil. Raramente eles o traem ou o expõem ao ridículo ou o abandonam. Por isso, hoje em dia (uma época dominada pelo marketing de comportamento) é tão comum gente que adora animais e detesta seres humanos. Tem até gente por aí que acha que homens e bichos deveriam ter os mesmos "direitos". Um dia macacos terão direito ao voto?

Enfim, cuidado com quem se acha "vítima" de um mundo insensível e dominado pelo dinheiro. Ela é, provavelmente, a mais insensível e interesseira de todas.
Luiz Felipe Pondé


Fonte: Paulopes

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


“Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal,
 sem alcançar o pior nem melhor.
 Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando.”
Clarice Lispector: A hora da estrela
"Amor, que a todo amado a amar obriga”
Dante Alighieri in Divina Comédia: Inferno .

Penso, logo dói.

sábado, 24 de setembro de 2011

Para Viver um Grande Amor .




(...)E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito…
Vinícius de Moraes 

Emil Cioran e o flerte com o suicídio


Por que eu não me mato?” – indagou o filósofo a Emil Cioran
(1911-1995), que apesar disso não se suicidou, mas desejou fazê-lo muitas vezes. Questionamentos como esse são típicos da psicologia suicida. O enfrentamento da morte a pretexto de libertação, mais do que coragem, exige consciência de que tudo está perdido e não há mais saídas a garantir que a vida vale a pena ser vivida. Geralmente, os casos de suicídio são marcados por um traço peculiar: a solidão. Suicidas são, amiúde, solitários e dão adeus ao mundo mergulhados na solidão; se não é assim, vejamos como Cioran visualiza um cenário apropriado para a realização do ato, “quando levantamos em meio à noite buscando desesperadamente por uma derradeira explicação, mas ao constatar a nossa solidão, porque todos dormem, desistimos de nossa intenção, pois ‘como abandonar um mundo onde se pode ainda estar sozinho?”

Nítida é a propensão do filósofo romeno ao adeus provocado. Constate isso em sua obraO Mau Demiurgo, mais precisamente em Encontros com o Suicídio (cap. 26 da obra). Cioran chega a dizer que “faz bem pensar que a gente vai se matar”. Tão é assim que em entrevista a Fritz Raddatz, em 1996, declarou: “na minha juventude eu vivi todo dia com essa ideia do suicídio. Mas tarde também, e até agora, mas talvez não com a mesma intensidade. E se eu ainda estou vivo é graças a essa ideia. Eu só pude suportar a vida graças a ela, ela foi meu suporte: ‘És mestre de tua vida, podes matar-te quando quiseres’, e todas as minhas loucuras, todos meus excessos, foi assim que eu pude suportá-los. E pouco a pouco essa ideia começou a se tornar algo como Deus para um cristão, um apoio; eu tinha um ponto fixo na vida”. Entretanto, Cioran não se suicidou, morreu naturalmente aos 84 anos.

Cioran bem representa a (pós) modernidade marcada pelo nada. O mundo hodierno, estigmatizado pelo consumismo e imediatismo, remete o ser humano a viver uma vida desprovida de qualquer sentido ou a ter uma existência absurda, acometida pela náusea, tal qual a de a Roquentin
personagem de Sartre; ou, ainda, remete-o ao deserto e vazio, peculiaridades deste tempo atual. Entediado com tal cenário e decepcionado com os seus problemas insolúveis, o que lhe vem logo à cabeça, sem dúvida, é aquela ideia à que Emil Cioran se refere e que Nietzsche enaltece: “A ideia do suicídio é um poderoso consolo: ela ajuda a passar mais de uma noite ruim”.


S o assunto te interessa vale a pena dar uma clicadinha no link acima.
Ou comprar a A revista Conhecimento Prático Filosofia edição 31 Editora Escala 
que é o mais indicado :) 

não se afobe não que nada é pra já...

Meu incentivo é a liberdade...


Ela seguirá em frente mesmo sem palavras de incentivo, seu maior incentivo é sua vontade de arrebentar as correntes invisíveis que a mantém presa a ele.

A luz da paixão



Apesar de tudo ela segue como uma mariposa estúpida, atraída pela lâmpada que certamente irá queimá-la. Mas ela não resiste ao seu brilho e se entrega a essa luz fatal. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

o desejo te engole /só não corre / esse risco quem morre. (Arnaldo Antunes)

O Tempo que Não se Perdeu


Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medidas pra contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo. 

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos. 

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber. 

Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser. 

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder. 

Terminaram-se os lamentos.” 

Pablo Neruda in O Coração Amarelo .

Mas não seria natural



- Mas não seria natural


- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem


- Natural é encontrar. Natural é perder.


- Linhas paralelas se encontram no infinito


- O infinito não acaba. O infinito é nunca


- Ou sempre.



CAIO F. ABREU

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

para um arcanjo sem volta


Depois da tempestade, de cada um ter seguido seu rumo, segue talvez uma saudade, ou uma talvez vontade-cara-de-pau-tímida de ligar só pra saber como você está. Sobre a saudade, posso dizer que ela não se relaciona ao amor ou à volta, esses, sem volta, sem saudade. O que posso tentar descrever aqui é uma espécie de falta, uma lembrança forte daquela presença e, talvez, uma negação humana de não se acostumar com o silêncio e com a distância de duas pessoas que já foram tão próximas e que, de repente, passaram a habitar vazios distintos. Vem daqui um desejo envergonhado, quase escondido, já que a dor passou e, agora, quem sabe, felicidade, paz, de trocar mais de "duas ou três frases sarcásticas" e de ter um carinho saudável, um pelo outro, outro pelo um, ambos; mesmo depois dos tombos, dos escorregões, das batidas fortes que nos atormentaram por noites e domingos.
Sinto uma vontade inexplicável de perdoar, mesmo sabendo que eu ainda não consigo, de fato, perdoar. Sinto vontade de pedir perdão, mas, também, inútil. Desejo o bem, de verdade. Até mesmo naqueles momentos em que o sarcasmo aparece, entre os amigos, entre os desconhecidos, em certas falas perdidas no meio da noite ou na falta de um assunto melhor. Porque ter raiva também é humano, não é? E errar também, frase quase banal. E também perdoar (e também pedir perdão).
Então talvez agora realmente seja o momento de buscar algum tipo de leveza que me conforte, que me acalme. Tenho mantido o lado esquerdo do peito em silêncio, não em seu nome, não em sua lembrança, mas para que ele se recomponha de forma saudável, tranqüila. E para que assim, depois de refeito, possa se abrir outra vez, sem vergonhas, sem medos, coração aberto para novos mergulhos. O silêncio não deve assustar, é pausa pra respiração.
Como num suspiro, vontade de te agradecer por ter sido meu primeiro tudo. Primeiro amor, primeiro salto, primeiro mergulho, primeiro carinho, primeira vontade, primeira falta, primeira mágoa, primeiro tombo. E por ter vivido primeiros tão bons momentos, ter me feito acreditar no amor e querer entregar pra você todas as coisas que todos os bobocas sentimentais desejam entregar para essa palavra tão cheia–vazia de significados: amor. Meu primeiro: queria pra você todas as alegrias e para mim nenhuma alegria seria maior do que estar com você.
Sei que caminhei até meus descaminhos e de nada me arrependo, nem mesmo de ter tropeçado tanto depois do depois. Se o amor é assim, como já disseram, intangível, talvez precise de silêncios espessos para se recompor. Mas a tal coisa, que já foi tão dita e tão pouco entendida, continuará persistindo até o fim dos dias e, ainda bem, creio ser o amor a cura de todas as coisas.
O amor se transformou, mesmo que se confunda. Virou outro. Metamorfose como de lagarta à borboleta.
Sem falsidades, mando bons fluidos para você. Desejo que seus olhos continuem se alargando por aí e que seu peito não se cale. Nunca.
Sinto falta da sua presença ou talvez, da presença daquele colorido que se dará de outras formas e cores a partir de agora. Desejo o bem, de bem e que, um dia, um dia sim, nos abraçaremos com verdade, com a mesma verdade daquele abraço que um dia nos uniu.

Por fortaleza furta-cor


Fonte: margaridasdepapel



“Acho que o meu alvo é a ilusão. Eu luto contra o encantamento. Creio que, embora a ilusão seja muitas vezes alegre e confortadora, ela essencialmente sempre enfraquece e constringe o espírito.
Mas existe o momento certo e o julgamento adequado. Jamais tire qualquer coisa se você não tiver nada melhor para oferecer em troca. Tome cuidado ao desnudar um paciente que não pode suportar o frio da realidade. E não se canse combatendo o encantamento religioso: você não é páreo para ele.
(...) No entanto, eu não deixo de ter fé, minha Ave-Maria é a invocação socrática: ‘A vida não examinada não vale a pena ser vivida’”.


Irvin Yalom

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Só numa multidão de amores


"Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida."
 Verônica H.

versos soltos e afogados






Sem colocar pedrinhas nos bolsos, afogo-me.
Cada instante de pensamento é um sufoco. 
Um golpe. Um mergulho.
Porque tocar no fundo quer dizer ter água acima da cabeça. 
Alguém já disse isso antes, foi perto do coração selvagem, foi ela mesma, ela que me escuta até debaixo d´água.
Sem colocar pedrinhas nos bolsos, afogo-me.
Cada pensamento é um desencontro. 
Um desespero.
Passam horas passam dias passam meses passam anos, o telefone nas mãos, as palavras prontas, as desculpas, as passagens, tudo pronto. 
E não me movo.
Estou no fundo mais do fundo do fundo do aquário, intacta, muda, coberta de água.
Pudera eu chorar todas as tristezas do mundo, pudera eu te trazer pra perto sobrevoando minhas lágrimas.
Te chamo todos os dias todas as noites. 
Te chamo em canto em prece em sombra em água.
Meus lábios cobertos de conchas selos projetos promessas.
Prometo.
Promete?
Que nossa distância seja ilusão apenas.
Te desejo desde os tempos imemorais.


Texto dedicado à ele.
(quanto mais amo mais calo)

Fonte:aqui

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ah o sexo...



 O sexo deve ter à mistura lágrimas, riso, palavras, promessas, cenas, ciúme, inveja, todos os condimentos do medo, viagens ao estrangeiro, novas caras, romances, histórias, sonhos, fantasias, musica, dança, ópio, vinho.
Só o bater em uníssono do sexo e do coração pode provocar o êxtase."

Anaïs Nin, 1941

Insensata Lógica



Ah, quer saber o que eu penso? Você aguentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrível. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir… Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.
Fernanda Mello

Sangue Latino



“As perdas das coisas, confesso que nunca me importaram muito. Mas as perdas das pessoas sim, doeram e, em alguns casos, deixaram um buraquinho bem difícil de preencher. Mas este mundo está armado assim, é um tecido de encontros e desencontros, de perdas e ganhos, e o melhor dos meus dias é o que ainda não vivi. E cada perda corresponde a um encontro que ainda não tive e, por sorte, a realidade é generosa e não falha nisso. Na verdade, eu escrevo para celebrá-la e a celebrando, denuncio tudo que impede que a gente reconheça nos outros e em nós mesmos, as múltiplas cores do arco-íris terrestre. Somos muitíssimo mais do que nos dizem que somos.“
 Eduardo Galeano

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

amor ímpar




que nosso olhar se encontre outra vez





{minha prece}






que nosso olhar se encontre.

Pedaço de Mim

Foi o que deu pra fazer



"- O que você fez? - indaga Camille.
- Eu escrevi pra ele, uns dias depois - suspira Luísa.
- Só isso? - insiste a amiga.
- Eu gostaria de ter batido nele naquela noite. Mas foi o que deu pra fazer..."

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)

Um novo retrato 3 por 4


Talvez eu nunca tenha sentido as coisas assim, tão genuinamente: a raiva, o amor, a alegria, a tristeza, a ansiedade, o afeto, o sexo. As minhas emoções têm emergido sem qualquer filtro, sem qualquer disfarce. E pela primeira vez eu me permito ficar com elas dando a cada uma a importância que me pedem, porque elas não me governam, são apenas emoções, são a minha transparência.

Sempre confundi a espiritualidade com um estado de bom-humor contínuo, uma expressão caridosa constante e a compaixão sempre presente. Talvez por isso, até a alegria me doesse às vezes, pois no fundo, eu queria esconder que dentro de mim havia também certo egoísmo, uma maldade latente, uma força para machucar que é nada além de uma forma humana de defender-se da ilusão de que algo possa feri-lo fundamente. Não respeitava meus instintos quando queria ser a melhor companhia para os outros o tempo todo. E errei muitas vezes na tentativa de acertar. E me feri em diversos momentos dando aquilo que eu não tinha ou queria. Sendo alguém que eu não estava.

A aceitação que eu buscava vinha de uma falsa compreensão que eu oferecia ao outro. Quantas foram as vezes em que eu simplesmente estava entediada com o drama alheio e me fiz prestativa e disponível no instante em que eu só queria respeitar minha vontade de solitude e ficar absorta nos meus próprios devaneios. Quanto tempo foi gasto procurando coisas e pessoas que preenchessem minhas lacunas quando eu apenas precisava do vazio; de estar comigo na feiúra e na beleza que carrego.

Como me arrependo do choro engolido, do elogio economizado, do insulto recebido sem me posicionar, da trepada sem afeto, do poema forçado, do colo que não pedi, do conselho que dei quando eu mal sabia de mim mesma, da ferida que causei por um motivo qualquer, da ferida que me fizeram e que não curei com o perdão.

Quantas palavras foram gastas para falar do silêncio. Quantos abraços foram aceitos impregnando o meu campo energético com um peso denso, e quantas vezes me protegi de uma carícia sincera. Quantas vezes suguei e fui sugada chamando isto de bondade. Quanto mais adequada eu tentava ser, mas eu me perdia do que eu era. E abafei minha loucura no peito comprimido para ser socialmente agradável. E escrevi coisas otimistas quando estava sofrendo de tanto medo. E ninguém sabia que aqui do outro lado eu estava chorando. E deixei que me julgassem sábia quando sou apenas mais uma buscadora tateando no escuro à procura da luz que pretendo beber a grandes goles.

Sou tão humana, Meu Deus! E no processo de lapidação, joguei fora algumas das minhas arestas, que talvez fossem o que eu tinha de mais valioso. Sou apenas alguém que escreve, que oscila, que anseia, que sofre, que ama, que acorda de madrugada pra pensar e tem inveja dos que dormem tão profundamente àquela hora. Não tenho nada que outra pessoa não possa desenvolver também. Não há limite que eu não possa superar. E se você me encontrar por aí, ou por aqui dizendo coisas e mais coisas, duvide de mim também. Sou apenas mais uma na multidão que, enquanto caminha, vai deixando pra trás certezas, adereços, endereços…
Sou apenas mais alguém que.
Marla de Queiroz

sábado, 10 de setembro de 2011

Porque hoje é sabado

E eu resolvi voltar com nossas músicas.





















"DO AMOROSO ESQUECIMENTO "



Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?"
Mário Quintana

Vinte e Nove

Talvez saiamos voando.



“Então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.”
Antônio Prata

No elevador do filho de Deus



A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

Elisa Lucinda

Sobre lembranças




Antes de qualquer coisa não pense que isso é um mérito seu, não te esquecer foi minha escolha. Honro minhas lembranças, não desprezo o tempo que dediquei para alguém, não ignoro os poemas que li, não esqueço os sonhos que tive. Na verdade, não tem nada a ver com você, tem a ver com nós. Eu e você separados somos planos diferentes. Se isso te faz feliz, não irei te esquecer. 
Cáh Morandi

Amar!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Poema XX

Janelas Abertas



Sim 
Eu poderia fugir, meu amor 
Eu poderia partir 
Sem dizer pra onde vou 
Nem se devo voltar

Sim 
Eu poderia morrer de dor 
Eu poderia morrer 
E me serenizar

Ah 
Eu poderia ficar sempre assim 
Como uma casa sombria 
Uma casa vazia 
Sem luz nem calor

Mas 
Quero as janelas abrir 
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor

Foi a Primeira Vez


Foi a primeira vez, a mais forte talvez
Que alguém fez meu coração bater descompassado assim
Foi um tiro no olhar, tanta pressa de amar
E uma febre tão louca, queimava na boca
Tive que me entregar
Foi a primeira vez, quem sabe nunca mais
Pois ninguém soube arrancar de mim a falta que você me faz
Fiquei tão preso nesse amor que não consigo me soltar
Quem vai secar meus olhos que estão cansados de chorar o mar...
Amar assim é tão ruim só vem pra machucar
É uma paixão que o coração não quer deixar voar
Amor assim não dá pra mim, é muita solidão
Eu preciso de alguém que não fuja do meu coração

Zezé de Camargo

A cura




"Eu não sou daquelas que morre de amores. Eu não sou daquelas que se entrega assim no mais. Eu não vou correr atrás de você se me abandonar. Eu não vou ficar ligando insistentemente para o seu telefone. Não espere receber todo cheio de si minhas mensagens de amor. Também não espere que eu sinta saudade, que eu escreva sobre isso para que você saiba.
Eu sou do tipo que tem sangue de barata, fria, insensível e isso é tudo que verás de mim. Jamais vai me ver rastejando a teus pés, implorando por teu amor. Eu não vou me lembrar de você quando ouvir aquela música brega. E você sabe por quê?
Porque eu te extirpei do meu cérebro, eu te expulsei do meu coração. Você não merece o meu amor e eu não mereço as tuas migalhas."

Ah, como seria bom se as coisas no amor fossem simples assim, não é mesmo? Se amar e desamar fosse fácil como trocar de sapato, eu e você nos mudávamos pra Sapatolândia e estava tudo resolvido.
Mas o amor é um bicho complicado e quando se instala é pior que vírus no PC da gente. Meio assim como quem não quer nada você abre a Caixa de Pandora e quando vê o amor te pegou de jeito. Sorrateiramente invade todos os teus programas, pastas e arquivos, se espalha por todo o seu sistema operacional e aí está feita a lambança. Faz um auê desgraçado na sua vida e você fica ali, todo desconfigurado, precisando de assistência. E dali pra frente é só pane no sistema, xuxu!
Sofrer, lembrar, esquecer, chorar, remoer, degringolar... essas são as fases estranhas da dor. E quem nessa vida nunca chorou por amor? Quem nunca ouviu uma musiquinha brega, absurdamente ridícula até, e não lembrou daquele bendito desalmado que teve o descaramento de não te querer, a insensatez de não te amar, de não se apaixonar?
Convenhamos, esse tal de Cupido ou é um cara muito ruim de mira ou um tremendo de um sacana! Porque é como se os amores nunca fossem correspondidos na mesma medida. Pense nos casais que você conhece. Comece analisando a love story de seus próprios pais. É ou não é verdade que sempre um dos dois ama mais que o outro? Enquanto um ama, ama e sofre, sofre, o outro não está nem aí... Vem cá, te conheço?
Parece que o amor nunca acontece na mesma medida entre as partes atingidas. É como se só nos clipes românticos as pessoas conseguissem ser loucas umas pelas outras no mesmo grau e intensidade. Aqui, na vida real, o buraco é mais embaixo...
Se ele me ama, manda flores, se derrete por inteiro de amores... eu vou amá-lo só um pouquinho pra não dizer que não amei, mas não vai ser lá essas coisas não. Agora se ela não responde minhas mensagens, se não atende toda vez que ligo, se nem sempre está disponível ou a fim de me ver... ah, essa diaba! Que será que ela tem que me dilacera o coração?
E como espantar um ser loucamente apaixonado e perdido de amores de perto de você? A dica é a seguinte: comece demonstrando-lhe o mesmo afeto, estenda-lhe o seu carinho e devolva-lhe na mesma medida o seu amor e atenção. Apaixone-se pelo vivente e diga que é todo dele o seu coração.
Ah, mas é tiro e queda! O mais infalível e certeiro de todos os golpes, acreditem. Na velocidade da luz, o amor da criatura se autodestruirá. É quase automático. Palmas pra mim, minha gente, eu descobri A CURA!
Mas isso quer dizer então que o segredo para esquecer e definitivamente apagar os rastros de um amor não correspondido de dentro de si, é apenas dar um jeito de fazer o desgranido apaixonar-se loucamente por você? Sim, porque automaticamente na hora em que a criatura enamorar-se pela vossa pessoa, o seu amor pelo dito cujo explodirá pelos ares! (Óhhhhh...)
E a partir de então você estará curado, sacodirá a poeira e estará pronto para a próxima. Ou se quiser poderá curtir um namoricozinho com a criatura agora xonada, mas lembrando sempre de ser o que ama menos da dupla, o ser off love da questão.
Mas Ah, garota! Preciso patentear essa ideia, não?
MARIE



Fonte: amoreoutrosdelirios

“(…) E, aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.”
(Manoel de Barros)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vazia, vazia...

Caso de amor



"Uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo.. 
Esta que eu ando nela agora é por abandono..." "... Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos. Emas passavam sempre por ela esvoaçantes. Bandos de aititus a atravessavam para ver o rio do outro lado. Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão. Eu falo: deixe deixe meu amor, tudo vai acabar. Numa boa: a gente vai desaparecendo igual quando Carlitos vai desaparecendo num fim de uma estrada...Deixe, deixe, meu amor."

Manoel de Barros em Memórias Inventadas

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Amor não é poupança



Dizer que investiu no seu amor [...] parece-me uma grosseria cósmica. 

O amor não é uma conta-poupança, uma ação na bolsa. Você não investe amor para gerar lucro. 

O amor não se investe. O amor se dá gratuitamente. 

[...] Doar o seu amor para as pessoas ao seu redor, para os animais, as plantas, para a existência, é a única forma de amor verdadeiro. 

O amor verdadeiro só pode ocorrer pela doação. 

Fonte: aqui

Que ele LIVRE-NOS...




[...]Oh! Meu Deus!

Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos. 
Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos…
Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos “prontos” mediocremente
embalados nos livros didáticos descartáveis
Deus que livre vocês de ficarem passivos, ouvindo e repetindo, e repetindo, e
repetindo…
Eu também queria uma escola que ensinasse você a conviver, a cooperar, a respeitar,
a esperar, a saber viver numa comunidade, em união.
Que você aprendesse a transformar e criar.
Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento, cada drama,
cada emoção.
Ah! E antes que eu me esqueça:
Deus que livre vocês de um professor incompetente.

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: aqui

Verdade e mentira



RENE MAGRITTE - LE DOUBLE SECRET, 1927


Nós não somos o que parecemos ser, nem para nós nem para os outros.
Nossas identidades são imagens justapostas pela necessidade.
As nossas vidas são uma luta para nos adaptarmos às circunstâncias à nossa volta.
Nenhuma das escolhas que fazemos para criar a identidade/ imagem que queremos passar para o mundo se baseiam em fatos que estão totalmente sob o domínio ou controle de nossas decisões. Nós não somos essa imagem que passamos para o mundo, seja lá qual seja a imagem que cada um de nós procura apresentar para o mundo. A nossa verdadeira identidade está por detrás daquilo que nós tentamos esconder dos outros. Não é aquilo que tentamos esconder, mas é através desta pista, e somente através dela, que podemos identificar aquele impulso que realmente nos caracteriza, que nos dá vida e que é a vontade por detrás de nossas decisões. Nós somos aquilo que procuramos esconder, não aquilo que mostramos.
Você é na medida em que reconhece esta necessidade e não permite que ela seja adaptada, adequada ao mundo que a circunda. A todo o momento somos sugestionados e tentados a abrir mão desta necessidade básica e criarmos uma outra identidade, baseada em necessidades socialmente aceitas. Você deixa de ser na medida em que não é mais capaz de perceber que esconde de si mesmo seus principais instintos e passa a agir em função da manutenção desta imagem falsamente adaptada e acostumada a responder aos estímulos externos.

A única maneira de provar que você realmente é, é observar atentamente, antes de tomar uma decisão em qualquer situação, e procurar reconhecer quais são as reais necessidades (não existem intenções verdadeiras) e seus instintos motivadores, e compreender que estes instintos e necessidades não serão nunca satisfeitos por algum meio externo. Porque qualquer movimento que se der em direção à realização, ou seja, à satisfação desta necessidade, será um passo em falso dado em direção à solidificação da imagem falseada, pois que nenhum instinto pode ser satisfeito fora dos padrões sociais. A única realização possível para o homem, para sua problemática existência no meio social, é o autoconhecimento. Tudo o mais é uma maneira de deixar de ser e tornar-se uma fraude.


Toda a nossa vida gira em torno de uma mentira que contamos para nós mesmos a fim de nos tornarmos capazes de responder àquilo que acreditamos que a sociedade quer de nós. Nós criamos todo um conjunto de mentiras para sustentarmos as nossas vidas, e não podemos permitir que nossos filhos descubram a verdade.
Evidentemente não existe nada como “ a sociedade espera isso de você”, porque a sociedade não espera nada de um indivíduo, ela não está nem ligando para um indivíduo, a sociedade tampouco se trata de um conjunto de homens vivendo entre si em comunidade. A sociedade é na verdade o conjunto de idéias que forma o nosso pensamento, e que está dentro de cada indivíduo em si, e não fora dele. Vários indivíduos, evidentemente, não podem pensar da mesma forma. Podem viver da mesma maneira se o conjunto de idéias que circula à sua volta for semelhante, mas sem dúvida não responderão a estas idéias de maneira idêntica. Esse conjunto de reações é a imagem que o sujeito emana para a sociedade, ou seja , para o conjunto de idéias guardado dentro de cada sujeito que formam estas comunidade, cada qual refletindo o seu modo e configurando o conjunto de modos socialmente aceitos. Tudo aquilo que estiver fora deste conjunto não será admitido.

Rishi

domingo, 4 de setembro de 2011

Suas certezas são gritos perdidos no abismo


Você tem um blog lilás onde escreve sobre relacionamentos. Você acorda com idéias sobre como outros podem viver suas relações de modo mais ousado, criativo e lúcido. Enquanto você escreve sobre amor, alguém liga no celular. E então você é ríspido e irônico, se fecha e faz tudo ao contrário do que escreve.

Seus textos são imperativos e impositivos pois você escreve para si mesmo, na ânsia de convencer a si mesmo de que sabe alguma coisa sobre mulheres, amor, sexo e tudo o que vem junto. Seu aparente altruísmo é apenas veículo para seu egoísmo.
Suas certezas sobre relacionamentos são como gritos perdidos no abismo. Ninguém sabe de onde vem, são meio desesperadas e quem se importa? Elas não alteram o fato de que estamos todos caindo. Muito melhor parar de gritar e tentar encontrar alguma mão para fazer um pouco de carinho antes de morrer.

Fonte: Aqui: Tudo aquilo que você não queria ouvir sobre relacionamentos

Verônica H




"Quão louca eu tenho que ser pra encontrar minha sanidade? Minha razão se foi. Não me sinto mais morrendo por segundos não vividos, estou vivendo pra não te deixar morrer em mim. Apesar dos mil motivos que eu tenho pra te esquecer e seguir em frente, encontro outros pra não te deixar passar na minha vida sem uma história de verdade. Estou fixa e me arrasto. Você não se move e eu corro, em círculos, atrás de você. "

Verônica H

Coisas de Chico


(...)Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro

(...)eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas

(...)Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir"

Chico Buarque

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pensando assim esses últimos dias...





"- Sabe, Linus, eu tô desenvolvendo uma nova filosofia: 
eu só preciso suportar um dia por vez. 

"Charlie Brown

E falando em verdade...


By René Magritte


"(...) A verdade é impura. Em todos os momentos, ela separou

e não uniu. A verdade não foi feita para estar
na boca de um homem."

Fabrício Carpinejar

"Durante algum tempo, acalentou a idéia de uma casa, marido e filhos, como se essas coisas fossem raras, como se representassem algum novo refinamento da experiência humana. Então as obteve, e a sensação de chumbo começou a aumentar em suas veias, um pouco mais a cada dia."

Rachel Cusk do livro Arlington Park