sábado, 24 de setembro de 2011

Emil Cioran e o flerte com o suicídio


Por que eu não me mato?” – indagou o filósofo a Emil Cioran
(1911-1995), que apesar disso não se suicidou, mas desejou fazê-lo muitas vezes. Questionamentos como esse são típicos da psicologia suicida. O enfrentamento da morte a pretexto de libertação, mais do que coragem, exige consciência de que tudo está perdido e não há mais saídas a garantir que a vida vale a pena ser vivida. Geralmente, os casos de suicídio são marcados por um traço peculiar: a solidão. Suicidas são, amiúde, solitários e dão adeus ao mundo mergulhados na solidão; se não é assim, vejamos como Cioran visualiza um cenário apropriado para a realização do ato, “quando levantamos em meio à noite buscando desesperadamente por uma derradeira explicação, mas ao constatar a nossa solidão, porque todos dormem, desistimos de nossa intenção, pois ‘como abandonar um mundo onde se pode ainda estar sozinho?”

Nítida é a propensão do filósofo romeno ao adeus provocado. Constate isso em sua obraO Mau Demiurgo, mais precisamente em Encontros com o Suicídio (cap. 26 da obra). Cioran chega a dizer que “faz bem pensar que a gente vai se matar”. Tão é assim que em entrevista a Fritz Raddatz, em 1996, declarou: “na minha juventude eu vivi todo dia com essa ideia do suicídio. Mas tarde também, e até agora, mas talvez não com a mesma intensidade. E se eu ainda estou vivo é graças a essa ideia. Eu só pude suportar a vida graças a ela, ela foi meu suporte: ‘És mestre de tua vida, podes matar-te quando quiseres’, e todas as minhas loucuras, todos meus excessos, foi assim que eu pude suportá-los. E pouco a pouco essa ideia começou a se tornar algo como Deus para um cristão, um apoio; eu tinha um ponto fixo na vida”. Entretanto, Cioran não se suicidou, morreu naturalmente aos 84 anos.

Cioran bem representa a (pós) modernidade marcada pelo nada. O mundo hodierno, estigmatizado pelo consumismo e imediatismo, remete o ser humano a viver uma vida desprovida de qualquer sentido ou a ter uma existência absurda, acometida pela náusea, tal qual a de a Roquentin
personagem de Sartre; ou, ainda, remete-o ao deserto e vazio, peculiaridades deste tempo atual. Entediado com tal cenário e decepcionado com os seus problemas insolúveis, o que lhe vem logo à cabeça, sem dúvida, é aquela ideia à que Emil Cioran se refere e que Nietzsche enaltece: “A ideia do suicídio é um poderoso consolo: ela ajuda a passar mais de uma noite ruim”.


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