sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Tempo que Não se Perdeu


Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medidas pra contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo. 

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos. 

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber. 

Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser. 

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder. 

Terminaram-se os lamentos.” 

Pablo Neruda in O Coração Amarelo .

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