segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Estarei aos pouquinhos substituindo as imagens que sumiram...

Mas bem aos pouquinhos, pois meu tempo(para os prazeres) está bem curtinho :)

Creio que nunca te vi doente - a não ser de amor. Cultivavas o vício da paixão com um método implacável. Corrias em contra-relógio. Procuravas a imobilidade de um tempo-pedra que já era o teu. O nosso - mas como podíamos dizê-lo, se tínhamos de continuar vivos? Nos breves dias em que vivias desapaixonada, tornavas-te impossível. Nada te entusiasmava.
Inês Pedrosa in Fazes-me falta

Sem você as emoções de hoje, seriam somente uma pele morta das emoções do passado.



O fabuloso destino de Amélie Poulain

Nem eu...



"Estou um pouco só, mas não lamento. Amei, chorei, enlouqueci de felicidade. Venci e perdi." 
Anita Ekberg

A dor da perda do objeto de amor


"De fato, a ruptura de um laço amoroso provoca um estado de choque semelhante àquele desencadeado por uma violenta agressão física: a homeostase do sistema psíquico é rompida, e o princípio de prazer abolido".

(Juan David Nasio, In: A Dor de Amar, Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, 2007)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"A confiança pode exaurir-se caso seja muito exigida."


Bertolt Brecht  in "Galileu Galilei"

O que existia, existe, entre nós, é uma ciência do desaparecimento

O cheiro do amor vedado que abandonáramos pela paisagem na nossa pré-história. Chamo-lhe amor para simplificar. Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar. O que existia, existe, entre nós, é uma ciência do desaparecimento.
Inês Pedrosa in Fazes-me falta

Michael Sowa




















A arte de Sowa remete á um mundo simples e real, ao mesmo tempo mágico e infantil.
O medo das crianças, seus sonhos, ele consegue através da pintura  retratar algo que algum dia já povoou nosso imaginário na infância ou ainda povoa.
Não sei explicar, bem arte não se explica, sente-se. Ou não.
Eu sinto e viajo com eles por caminhos incríveis... 
Michael Sowa pintor e desenhista alemão


complexos universos


´´Transeuntes eternos para nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mão estenderei para que universo ? O universo não é meu : sou eu´

´Fernando Pessoa, ´´O livro do desassossego´´

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Para começar a semana...



Eu creio em mim mesmo. Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar. Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles que não gosto. Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem. Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.
Mahatma Gandhi






Fiz o caminho sem tomar direção, sem saber do caminho. Pé por pé, pé por si. Deixei que o caminho me escolha. Na travessia, só silêncio. O nenhuns-nada. O alegre, mesmo, era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma.

(Guimarães Rosa)

Sobre a arte, sobre Pessoa


" O fim da arte inferior é agradar,
o fim da arte média é elevar, 
o fim da arte superior é libertar."
Fernando Pessoa.


"E quando há um jovem que acredita que filosofar não é conversar ou escrever, mas realizar com exatidão o que os filósofos dizem que se deve realizar, estes o fazem desperdiçar vários anos de sua vida, e então se mostra que aquilo era impossível, e então ele se deixou agarrar tão profundamente que talvez sua salvação seja impossível."
Kierkegaard

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pequeno Dicionário do Amor








O amor flagela,
o amor migalha,
o amor congela,
o amor navalha.
O amor desarma,
o amor guerreia,
o amor corre nas veias,
o amor joga na vala.
O amor semeia,
o amor desmata,
o amor permeia,
o amor te mata.
O amor é sacrilégio,
o amor não tem colégio,
o amor te sacaneia,
o amor te desampara.
O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho.
O amor supera o sonho,
o amor, sonhando, embarca,
o amor chuta a canela,
o amor dá de trivela,
o amor é farofeiro,
o amor é magnata.
O amor come poeira,
o amor rompe o silêncio,
o amor é conseqüência,
o amor é contra-senso.
O amor é indefeso,
o amor sucumbe ileso,
o amor começa e pára,
o amor sobe à cabeça,
o amor desce a porrada.
O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho.
O amor é lindo,
o amor é love,
o amor é índio,
o amor é rock.
O amor é black,
o amor é blue,
o amor é vinho,
o amor é cool.
O amor é leve
o amor é trash,
o amor é sério,
o amor é riso.
O amor é paraíso,
o amor é infernal,
o amor é impreciso,
o amor é pontual.
O amor é night,
o amor é dia,
o amor noite,
o amor é fria.
O amor é loucura,
o amor é tesão,
o amor é fissura,
o amor é solidão.
O amor é luta livre,
o amor é ioga,
o amor tem sinusite,
o amor advoga.
O amor é bicha,
o amor é machista,
o amor é futurista,
o amor não marca hora.
O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho


Zeca Baleiro

Bom dia com Willian Shakespeare

Sobre pensamentos

"Para muitos pensar é uma tarefa fastidiosa e chata. Para mim, nos meus dias felizes, uma festa e uma orgia."
Nietzsche

Fragmentos de um Evangelho Apócrifo





5 Afortunados os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.

6 Não basta ser o último para ser alguma vez o primeiro.


7 Feliz o que não insiste em ter razão, pois ninguém a tem ou todos a têm.

8 Feliz o que perdoa os outros e o que perdoa a si mesmo.

9 Bem-aventurados os mansos, porque não condescendem à discórdia.

10 Bem-aventurados os que têm fome de justiça, porque sabem que a nossa sorte, adversa ou piedosa, é obra do acaso, que é inescrutável.

11 Bem-aventurados os misericordiosos, porque sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.
12 Bem-aventurados os de coração limpo, porque vêem Deus.

13 Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque lhes importa mais a justiça do que o seu destino humano.

14 Ninguém é o sal da terra; ninguém, em algum momento da sua vida, não o é.


15 Que a luz de uma lâmpada se acenda, mesmo que nenhum homem a veja. Deus a verá.

16 Não há mandamento que não possa ser infringido, e também os que digo e os que os profetas disseram.

18 Os atos dos homens não merecem nem o fogo nem os céus.

19 Não odeies o teu inimigo, pois se o fazes, és de algum modo seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que a tua paz.


20 Se a tua mão direita te ofender, perdoa-a; és teu corpo e és tua alma e é árduo, senão impossível, fixar a fronteira que os divide...

24 Não exageres o culto da verdade; não há homem que ao cabo de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.

25 Não jures, pois todo juramento é uma ênfase.

26 Resiste ao mal, porém sem espanto e sem ira. A quem te ferir na face direita, podes voltar a outra, desde que não te mova o temor.

27 Não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.

28 Fazer o bem ao teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens.

29 Fazer o bem ao teu inimigo é a melhor forma de satisfazer a tua vaidade.

30 Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.

31 Pensa que os outros são justos ou sê-lo-ão, e se não for assim, não é teu o erro.

32 Deus é mais generoso que os homens e os medirá com outra medida.

33 Dá o que é santo aos cães, joga tuas pérolas aos porcos; o importante é dar.

34 Procura pelo prazer de procurar, não pelo de encontrar...

39 A porta é que escolhe, não o homem.

40 Não julgues a árvore por seus frutos, nem o homem por suas obras; podem ser piores ou melhores.

47 Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem soberba

50 Felizes os amados, os que amam e os que podem prescindir do amor.

51 Felizes os felizes.

Jorge Luis Borges  "Elogio da Sombra"

terça-feira, 18 de outubro de 2011



Às vezes, o pensamento mais estranho, mais impossível na aparência, apodera-se de nós com tal poder, que acabamos por julgá-lo realizável... Mais ainda: se a idéia se associa a um desejo violento, apaixonado, tomamo-la às vezes, no fim das contas, por algo fatal, inelutável, predestinado. Talvez haja aí, também, um não sei quê, uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordinário de vontade, uma intoxicação por sua própria fantasia...

(Fiodor Dostoiévski, in O Jogador)

A verdade e sua metáfora

Em certo país dava-se o nome de metáfora a qualquer recipiente próprio para conter algum líquido. Havia nesse país uma fonte de água cristalina, porém tão amarga que dizia-se bastar um único gole para matar de desgosto um homem adulto; cria-se no entanto que diluída ou em pequenas doses essa água tinha propriedades mágicas ou medicinais, e deu-se a ela o nome de verdade.

Levas de peregrinos acorriam incessantemente à fonte, e partiam para seus lugares de origem levando a verdade em seus vasos metafóricos.

Porém uma rigorosa seita, que cria que a verdade deve ser experenciada sem o auxílio de metáforas, atacava as caravanas de peregrinos. Querendo ensiná-los a obter a verdade em estado puro, os sectários destruíam a pauladas as metáforas que a continham. Quebrados os recipientes, a verdade se derramava e desaparecia no solo, ficando sem ela peregrinos e sectários.

Certa vez um rapaz voltava da fonte levando a verdade em sua metáfora quando viu de longe a aproximação dos sectários. Não querendo ver derramada a verdade que trazia consigo, o rapaz não hesitou e bebeu em goles resolutos toda a água da vasilha.

– Onde está a verdade que você trazia nessa metáfora? – perguntaram os perseguidores.

– Eu bebi – desafiou o rapaz. – Agora a verdade está dentro de mim.

E os sectários mataram-no a pauladas.

Em compensação, começou a correr a notícia de que a verdade, embora amarga, não era mortal, e que o recipiente próprio para conter a verdade era um ser humano. Com o passar do tempo os próprios homens passaram a ser chamados de metáforas, e conta-se que nunca estiveram mais perto da verdade.

Paulo Brabo

Fonte:
 Bacia das almas

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo."


Foucault

nem toda infância, são só boas lembranças...


Dia das crianças, Natal, dia dos pais, mães, meu aniversário, nessas datas geralmente vem a tona minha infância, que não foi das mais agradáveis nem das mais fortalecedoras. Mas, foi a que eu tive, a que tenho que aprender lidar aceitar, esquecer( o que deve ser esquecido), aprender com ela e tocar em frente. Encontrei esse texto sobre o assunto e resolvi passa-lo adiante:

ILUMINANDO SUA CRIANÇA INTERIOR


Essa criança é a fonte de toda criatividade, alegria e sentimento de irmandade que nutrimos pelos outros e pelas coisas. É o reduto da pureza, assim dizendo. Obscurecida pelo tempo, a infância é a etapa da vida que mais diz respeito a nós mesmos. É sabido que ninguém tem uma infância perfeita. Mas é possível voltar ao passado e rever o que pode ser útil e o que deve ser definitivamente entendido para que você possa seguir em frente, firme e forte.

Assim, o resgate gradativo da criança interior acaba sendo uma chance de perdoar os erros das pessoas que nos criaram, das ofensas que sofremos e, principalmente, recobrar a coragem a confiança que toda criança tem em estado bruto ou latente para direcionar melhor as nossas atitudes no agora. Quando você traz luz à sua criança interior, existe a possibilidade de cura. O vazio que a solidão traz na maioria das vezes pode chegar ao fim, pois não há nada mais poderoso do que um reencontro com você mesmo. Somos nós o genuíno apoio de que precisamos, cedo ou tarde, frente às intempéries da vida.

Estabelecer contato com a criança adormecida dentro de você não é nada difícil e nem lhe toma muito tempo. É uma prática bastante útil para rever alguns fatos e até mesmo administrar bloqueios que vêm se perpetuando. Comece observando atentamente o arcano. Ele agora serve como uma porta que levará você a um notável encontro consigo mesmo.


COMO ENTRAR EM CONTATO COM A SUA CRIANÇA INTERIOR
  • 1Um passo crucial é encontrar fotografias suas da época da infância. Se não tiver nenhuma imagem, retenha na mente a sua imagem de quando era uma criança. Se possível, procure fotos de outras crianças que se assemelham a você nesse período em questão. Quantos anos ela tem? Pergunte e tente se lembrar dessa etapa da vida, caso ela lhe responda. Aceite e siga a sua intuição nesse momento. Ela é que lhe guiará por esse caminho.
  • 2A partir disso, comece a relembrar o ambiente, o que houve naquela data, como você se sentia. Se não se lembrar, tudo bem. Mantenha o foco na sua expressão facial e corporal.
  • 3Eleja uma foto e observe-a atentamente até que esteja nítida em sua mente a ponto de vê-la se movendo e conversando com você, como se a imagem fosse, a partir de agora, um filme.
  • 4Retenha a imagem em suas mãos e se apresente à criança. Eu sou você hoje. Você mora dentro de mim. Como você está? Registre tudo o que você ouvir ou sentir a partir desse momento. Do que ela precisa? O que ela sente neste momento?
  • 5Imagine-se abraçando essa criança, da mesma forma que o arcano do Tarot lhe mostra. Como é esse contato? É difícil visualizar essa cena? O que você pode fazer para melhorar esse contato?


DURANTE E DEPOIS DO CONTATO COM A SUA CRIANÇA

Pode ser doloroso, às vezes, trazer à luz essa criança dentro de você - talvez ferida ou magoada há tanto tempo. Mas também pode ser absolutamente transformador na medida em que a sua autoestima passa a tomar forma e força. Vale perceber que, ao longo desse contato, você se descobre capaz de mudar o jeito de olhar para as pessoas e, principalmente, para você mesmo.

Lembrar que não era possível ter tudo o que você queria quando era menor, por exemplo, se torna uma valiosa lição para os dias de hoje: que tal valorizar tudo aquilo que você tem conquistado? E as humilhações e castigos, por mais difíceis e estressantes que possam ter sido, servem agora de motivo para você assumir a sua verdade com o peito aberto e sem medo. Afinal, essa criança não está mais sozinha. Você é responsável pelas reações dela, a partir de agora.

AFIRMAÇÕES POSITIVAS PARA LIDAR COM AS LEMBRANÇAS


Uma alternativa para lidar com os fatos que agora ressurgem é adotar uma postura chamada de "Perdoar e Esquecer". Após virem à tona as lembranças, sejam elas quais forem, é válido fazer uso das afirmações positivas, que se tornam verdadeiros mandamentos para redirecionar a sua vida. Veja alguns exemplos:
  • "Eu perdoo todas as ofensas, humilhações e ausências e sigo em frente, firme e forte"
  • "Sou dono de mim e tenho total controle sobre a minha existência"
  • "Sei que a tendência da minha vida é dar certo e trabalho para isso"

LIDANDO COM O ESPELHO DA INFÂNCIA DAQUI PARA FRENTE


A criança interior é um espelho daquilo que você necessita rever em sua vida. E, muitas vezes, é um resgate harmônico das suas origens, do modo como você administra seus gostos, suas preferências e suas escolhas que formaram a pessoa que você é. Não é possível apagar o passado, mas é sempre válido tentar resolvê-lo, quando possível, para que você possa defender e acreditar nas suas escolhas e no seu caminho. Se você cresceu e chegou até aqui, é porque pode muito bem olhar para trás e estender a mão a essa criança sozinha em algum canto escuro dentro de você.

Fonte: Personare

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


Ela ameaça, diz que não vai estar quando eu voltar 
— eu não escuto, sei que ela me ama, sei que vai estar no mesmo lugar.
Caio F. de Abreu

Freud sempre explica:



Em relação ao princípio do prazer e de realidade, podemos concluir que ambos os princípios possuem o mesmo objetivo — obter prazer e evitar desprazer. No entanto, a diferença fundamental entre eles está na maneira como lidam com a situação, sendo que a regra do princípio do prazer é a imediates, já que o estado de tensão precisa ser desfeito imediatamente, sem levar em consideração as circunstâncias ou consequências. Um exemplo desta situação é o caso de um bebê, quando uma alucinação pode acalmá-lo temporariamente quando chora de fome; se o leite demora a vir, pode começar a chupar o dedo, e com isso lidar com o desconforto causado pela fome durante algum tempo. A ação motora nesse caso tem o objetivo de “descarregar” a tensão e, embora não possibilite obter leite realmente, mantém o bebê na ilusão de que solucionou o problema e modificou a situação. Na verdade, a única modificação — e ainda assim frágil e precária — foi um alívio do desprazer que estava sentindo, pois não se alimentou realmente, ou seja, não poderia se manter nessa condição de ilusão para sempre.

O princípio da realidade, mesmo tendo como objetivo também a satisfação, busca-a de outra forma, já que procura levar em consideração os dados da realidade. Isso implica, que uma série de aquisições possa ser desenvolvida, de modo a permitir esse tipo de funcionamento. Em primeiro lugar, é necessário contar com a percepção, que está ligada à consciência. Em outras palavras, para que qualquer operação envolvendo a realidade possa ter lugar, é preciso haver inicialmente um contato com os dados que a compõem, e isso só pode ser feito com a ajuda da percepção acompanhada por um se dar conta deles, isto é, pela notação, pois muitas vezes percebemos, mas não “sabemos” que percebemos, ou não utilizamos o que foi captado, portanto, permanecemos “inconscientes” desses dados, como se não existissem.

 Sigmund Freud. “Além do princípio de prazer”.


Nada melhor do que agir com simplicidade, lucidez e alguma bem-humorada autocrítica, em qualquer posto e em qualquer circunstância desta nossa vida.

Lya Luft, escritora gaúcha

Inútil é o amor que eu tenho por você, quis dizer-lhe.


Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha que esta nascendo ali... Está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros. Não fez nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil esta a Beleza. No inútil esta Deus.
Inútil é o amor que eu tenho por você, quis dizer-lhe. Não disse.


Lygia Fagundes Telles

Trecho de Ciranda de pedra

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Memórias de Minhas Putas Tristes


"Dito às claras e as secas,
sou da raça sem méritos nem brilhos,
que teria nada a largar aos seus sobrevivente
se não fossem os fatos que me proponho a narrar
do jeito que consegui
nesta memória do meu grande amor."

Gabriel Garcia Marquez
"Quem tem olhos pra ver e ouvidos para ouvir, convence-se de que os mortais não conseguem guardar segredos.
Se os lábios estão mudos, eles tagarelam com os dedos; a traição força seu caminho por todos os poros."


Sigmund Freud.

Já que não me entendes, não me julgues, não me tentes

Meu bem querer



Meu bem-querer 
É segredo, é sagrado 
Está sacramentado 
Em meu coração! Meu bem-querer 
Tem um "quê" de pecado 
Acariciado pela emoção...



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amor em tempos de cólera

Refletir sobre os laços amorosos na contemporaneidade é algo pra lá de complexo. Sabemos o quanto às relações sociais vêm sofrendo em termos de mudança até mesmo de paradigmas. As inovações trazidas para os laços entre o masculino e feminino marcam, de certa maneira, o sentimento de solidão do qual muitos sujeitos se queixam.

Entendemos que os vínculos afetivos se constituem na "liga" que permeia todo fazer humano. Esses laços são, como diria o próprio Freud, nosso paraíso e ao mesmo tempo fonte do mais cruel dos sofrimentos. Chega a afirmar que: "O sofrimento oriundo dessa fonte é talvez o mais duro para nós do que qualquer outro"(Mal Estar na Cultura). A dor da perda do objeto de amor, daquele que em um entrelace entre realidade e projeção se torna o depositário do que J. -D Nasio irá nomear como o organizador das pulsões. "De fato, a ruptura de um laço amoroso provoca um estado de choque semelhante àquele desencadeado por uma violenta agressão física: a homeostase do sistema psíquico é rompida, e o princípio de prazer abolido".( J. -D Nasio – "A Dor de Amar)

Frente a uma modernidade (ou pós-modernidade) onde a dor ganhou contornos de pecado, o amor tanto é a esperança como uma grande ameaça, algo que pode jogar o sujeito no mais temido pela organização social – o sofrimento. Permeiam então, e atravessam as relações, algo que apontará para o novo, como um descompromisso e uma relação sempre na superficialidade dos afetos ou remeterá ainda, à fuga pela aceitação de velhos paradigmas, e na manutenção de relações onde o vínculo afetivo se rompe e restam compromissos estéreis, ligados a uma velha ordem social em franco processo de mutação. Ante uma ou outra possibilidade, restará a esse sujeito a vivência de uma grande angústia e um esvaziamento afetivo e pulsional em relação a sua realidade e mundo externo. A dor, essa grande ameaça que acaba por montar um muro de indiferença que marcam as relações contemporâneas aponta como primeira premissa a ser evitada.

" 'Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou seu amor'(Freud). Acho essas frases notáveis porque elas dizem claramente o paradoxo incontornável do amor: mesmo sendo uma condição constitutiva da natureza humana, o amor é sempre a premissa insuperável dos nossos sofrimentos. Quanto mais se ama, mais se sofre"(Nasio)

Constroem-se mil hipóteses para a solidão do homem moderno que, contraditoriamente a isso, constrói em tecnologia aparatos que falam todo tempo em relações em rede, conectividade, quebra do paradigma do individualismo para alguns pesquisadores. Fica parecendo um algo incompreensível e inapreensível. Esse homem é indiferente ou sofre? Está em relação mais do que nunca ou se isola cada vez mais? Avança no sentido de sofrer menos exigências morais da cultura ou se enclausura cada vez mais nelas? Questões e mais questões são levantadas quando pensamos nesse sujeito e suas relações de vínculo. A psicanálise do ser social ou aquela que dirige seu foco para as relações objetais, mais do que nunca é chamada a "falar", a expor o latente em uma representação aceitável para os níveis de recalque operados pela cultura.

Se a tecnologia avança cada mais em seu poder de destrutividade, avançará também em suas possibilidades de união fraterna? Perguntas irrespondíveis, pelo menos por hora. Podemos supor que o embrião dessa união fraterna nasce ali do vínculo que une dois parceiros em busca desse amor, apoiados em suas matrizes que os remeterão ao seu primeiro objeto de amor, igual para ambos, suas mães ou quem exerceu essa função. Dizem que os novos tempos trazem atrelados modelos de união perversa, isso dito naquilo que ela tem de mais cruel, a perversidade como traço. Será mesmo que isso é o que se dá? Ou poderíamos pensar em toda uma proteção perversa em relação a dor que as relações fast-food podem provocar em nossa instável organização pulsional? Fusão e desfusão, Eros e Thanatus, na balança que movimenta o ato da vida. Por outro lado essa instabilidade aponta e remete para a possibilidade de relações criadas e mantidas apenas por fortes laços afetivos, onde normas sociais não serão mais a grande mortalha do amor. Esperança, tema que a psicanálise em alguns de seus setores tem voltado o seu olhar.

Talvez possamos pensar nos discursos erguidos contra as novas formas de amar como uma resistência à mudança que se opera irremediavelmente em nossos contornos sociais. Ergue-se então toda uma falácia religiosa em torno do tema, alguns setores atacam as novas constituições familiares em um claro movimento de retrocesso e resistência.

Mais uma vez o velho Freud nos ajuda a refletir em sua obra "O Futuro de Uma Ilusão":

"É duvidoso que os homens tenham sido em geral mais felizes na época em que as doutrinas religiosas dispunham de uma influência irrestrita; mais morais certamente não foram".

Isso talvez esteja atravessando e alimentando todo medo que hoje se ergue em torno desse amor de parceria, desse encontro amoroso entre dois seres. O luto que a sociedade insiste em ver como algo a ser evitado, algo que queima tanto a visão quanto queima olhar para nossa condição incontornável de sermos seres com uma finitude determinada desde o nascimento.

"O luto não é nada mais que uma lentíssima redistribuição da energia psíquica"(Nasio). Só poderemos nos entregar ao amor se pudermos lidar com a existência da perda, não como algo onde morremos, mas o próprio caminho que permeia a vida. O que existe em cada passo que damos.

Há um trecho interessante nessa obra de J.-D.Nasio citada, onde ele expõe a fala de um analisando frente a perda de sua mãe, talvez ela exemplifique muito bem o que abordamos aqui, diz:

"Uma parte dela está desesperadamente viva em mim, e uma parte de mim está sempre morta com ela".

A possibilidade dessa cronificação da dor afasta qualquer possibilidade de investimento amoroso construtivo e prazeroso. O chão do amor e dos vínculos nos remete à própria construção freudiana, a toda a complexidade fusional, onde união e desintegração caminham sempre fusionados. Resiste o conceito de amor que quer banir a possibilidade de perda, a sociedade cultua frases como aquela terrível da obra que atravessou gerações "O Pequeno Príncipe", onde se lê: "Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas". Que terrível presságio!

Resta então a solidão da modernidade, o afastamento dos vínculos enquanto o caminho do amor e da construção fraterna. Seres solitários ou acompanhados padecem da capa da indiferença e do cinismo afetivo.

Volto a Freud em "O Futuro de Uma Ilusão", para lançar uma luz de esperança para a modernidade das relações, sem o sentimentalismo deliróide do "amai ao próximo", seja ele quem for; nessa passagem linda onde nos faz refletir:

"Meu amor, para mim, é algo valioso, que eu não devo jogar fora sem reflexão. A máxima* me impõe deveres para cujo cumprimento devo estar preparado e disposto a efetuar sacrifícios. Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira. (Não estou levando em consideração o uso que dela posso fazer, nem sua possível significação para mim como objeto sexual...). Ela merecerá meu amor se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merece-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que nela possa amar meu ideal de meu próprio eu(self)".

*diz respeito à máxima: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo"

Que o amor de Eros seja valioso em sua capacidade de unir pelo laços afetivos de investimento, longo caminho que percorremos em busca da tal felicidade, seja ela aquela que fala de nossos egos individualizados, seja ela aquela que compõe o vasto tecido das relações sociais e da civilização.

Entre a solidão, o desamparo e os vínculos, que possamos construir relações amorosas e de resgate do conceito de Ideal do Ego, onde encontros e afinidades permeiem o que não é sublimável, naquilo que o encontro amoroso tem de sexual propriamente dito e que a partir desse encontro, possamos construir ideais que lancem o mundo na tal fraternidade que Freud aponta em seu texto "Psicologia das Massas e Análise do Ego".

"Solidão que nada..."

Olhar para o modernidade das relações em seus aspectos de progresso e em seus aspectos de resistência à mudança. Que nosso olhar não envelheça e que a psicanálise permaneça transgressora como o velho Freud sempre a sonhou. Que a solidão da qual falam muitos teóricos seja o caminho para construções afetivas mais saudáveis, um rito de passagem. Nascemos sós, e ao mesmo tempo, toda psicologia é em última instância, objetal e fala de relações de vínculos.

Por Denise Deschamps

Amor nos tempos do cólera





Filme da obra homônima de Gabriel Garcia Márquez. O  produtor Scott Steindorff levou três anos para convencer o escritor a vender os direitos de adaptação de seu livro para o cinema.

Como em toda obra de Gabriel Garcia Márquez, nessa encontraremos a profundidade com a qual trata as personagens que constrói. [...]

O filme nos mostrará uma bela e comovente história de amor e devoção que atravessa toda uma vida de espera. Florentino Ariza (Javier Bardem) e Fermina Daza (Giovanna Mezzogiorno) se apaixonam um pelo outro, quando ainda muito jovens. Um amor que contém uma delicadeza de intenções desde o seu aparecimento, costurado pela poesia.

[...] A cena onde Florentino chora e adoece de amor no colo de sua protetora mãe, Tránsito Ariza(Fernanda Montenegro), é comoventemente bela. Esse filme é um convite para que pensemos no que chamamos de amor e no quanto o poeta Fernando Pessoa esteve certo quando disse que:


“Todas as cartas de amor são
  Ridículas.
  Não seriam cartas de amor se não fossem
  Ridículas”.

Florentino nos traz o ridículo do amor em toda sua altivez, a convicção da obsessão do amor, não desistindo da espera, do seu sonho de tomar Fermina novamente em seus braços. Não foge da dor inominável da perda, enfrenta-a como um navegante desorientado em mar em tempestade.

[...] Florentino poderia ser visto apenas como um obsessivo compulsivo frente ao afeto, com certeza caberia essa leitura, mas nos parece que ela não daria conta de toda beleza e força de vida que há nesse personagem que irá para muito além da repetição, do aprisionamento compulsivo.

Essa dor o fará criar, viver aventuras, viagens, descobertas, em sua busca incessante de manter vivo dentro de si, o amor por Fermina. Em nome dessa dor e a partir dela, conquistará toda uma vida plena em fatos e acontecimentos.

Gabriel García Márquez teria dito que este é o livro que ele “escreveu com as entranhas”. E o filme não deixa de nos mostrar a profundidade contida nessa afirmação. Embora em alguns momentos nos arranque sorrisos ou ironias, nos faz pensar em amores perdidos e achados ao longo das nossas vidas. A fidelidade de Florentino ao amor que tem, que vai para muito mais além do que seja a Fermina, é uma fidelidade a uma escolha que fez e que passa a ser constituinte desse ser no mundo. Por e através desse amor ele construirá um homem com crenças e buscas, muito bem plantadas. Ensina, por outro lado, que pode investir parte do afeto em outras relações, mas mantendo intocada a relação de objeto que escolhe como a organizadora pulsional de seu aparelho psíquico.

O que teria esse filme a nos ensinar hoje, na modernidade das relações, permeadas por hipocrisia, afastamento, desamparo, isolamento narcisista e desencontros?
Ao final do filme com a morte de Juvenal Urbino, após o enfrentamento dos ditames sociais que os manteria ainda separados, pela insistência persistente do nosso impagável personagem Florentino, encontrarão finalmente um os braços do outro, em um amor juvenil que atravessou décadas para finalmente se realizar acima das ordens e regras da sociedade da época. Belo encontro!

Mais do que de amor, esse filme nos fala de ideais, de busca movida pela paixão, fala da construção da vida em seus atos, que só terão sentido, só existirão, a partir da coragem de enfrentar perdas e danos e acreditar profundamente na força do desejo que nos faz ser quem somos, aquele que nos constitui desde antes de usarmos a palavra, a representação, àquilo que nos remeterá ao místico das pulsões.
Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps





"Na espera havia perdido a força das coxas, a dureza dos seios, o hábito da ternura, mas conservava intacta a loucura do coração."



"Depois de um longo tempo, Florentino Ariza olhou Fermina Daza ao fulgor do rio, viu-a espectral, o perfil de estátua suavizado por um tênue resplendor azul, e viu que chorava em silêncio.
Mas, em vez de consolá-la, ou esperar que esgotasse suas lágrimas, como queria ela, deixou-se invadir pelo pânico.
-Você quer ficar só?
-Se quisesse não diria a você que entrasse. - disse ela.

Então ele estendeu os dedos gelados na escuridão, buscou tateante a outra mão na escuridão, e a encontrou à espera.
Ambos foram bastante lúcidos para perceber , num mesmo instante fugaz, que nenhuma das duas era a mão que tinham imaginado antes de se tocar, e sim duas mãos de ossos velhos."


Gabriel Garcia Márquez - " O amor nos tempos do cólera


Pru Que?


Pruque?

"Pru que tu chora?
Pru que, hein?
Pru que teu peito saluça
e o coração se debruça
nos abismos do sofre?
Tu pode me arresponde?
Pru que tu arma suzinha
e pela estrada caminha
sem alegria mais te?
Pru que teu zoio num ve
e o coração nao escuita
no sacrificio da luta
esse convite a vive?
Eu te pregunto, pru que?
Pru que teus pes ja sangrando
continua caminhando
pela estrada do sofre?
Pru que tua boca soh fala das coisas triste da vida
que muitas vezes esquecida dentro do peito se cala
quando o amor, prefume exala?
Pru que tu mata a semente dessa alegria inocente
que no teu sono se embala?
Pru que que o teu coração eh como um bau trancado
e dentro dele guardado
soh desespero e aflicao?
Pru que nao faz meu irmao
uma limpeza la dentro
varrendo com pensamento
os espinho da mardição?
Pru que tu veve agarrado
nas asas desse caixão
que carrega a assombração
desse defunto chamado passado? Hein?
Se tua ja veve cansado
enterra todo o tormento
na cova do esquecimento
pra nunca mais ser lembrado.
Depois disso, vem mais eu.
Vem ouvi pelas estrada
o canto da passarada
que em seu peito emudeceu.
Escuta a voz das cascata.
Chera o prefume das mata
Oia os campo. Tudo eh teu.
Aprende com os passarim que soh tem voz pra canta
Com o sor que nasce cedim e vem teu frio esquenta
oia as estrela,
o luar.
Mas antes de tu quere
isso tudo a recebe
aprende premero
a da."

Pompilio Diniz

domingo, 2 de outubro de 2011

Do fundo do meu coração

Mas eu segui em frente, por mim e por nós dois.

Olha, não sei qual dói mais. Quando acaba, quando sentimos que acabou, ou quando a gente precisa cair na real que acabou e já faz tempo.

Gabito Nunes

Subterfúgios


Tenho gosto pelas coisas baixas. É… as coisas que geralmente são desprezadas, abandonadas e consideradas sem valor. Frequento os brechós, coleciono quinquilharias, tô sempre atrás de umas bugigangas. É… gosto das coisas da terra, do chão. Admiro os que sabem voar. Os pássaros de voo alto, uma asa delta cortando o céu e até os balões colorindo o azul ou brilhando no escuro. Tudo isso me fascina. Quando criança fiz muitos balões. Naquela época não era crime soltar balão. Também, agora tudo vira crime! Mas prefiro os pés no chão. Sentir a terra molhada, ver a paisagem daqui mesmo e poder tocar com as mãos. É… tenho olhar rasteiro. Meu olhar acompanha os loucos, os marginais, os vagabundos. Ele adentra o submundo, o subterrâneo, o subúrbio. Os poetas que mais gosto flertaram com a loucura. Um dos meus preferidos é o Manoel de Barros. O poeta que canta as coisas ínfimas e as vidas infames. É… falo sempre em tom subjetivo. Tudo é questão de ponto de vista, de perspectiva. Os que olham do alto e se sentem donos da verdade me provocam náuseas. Minha voz é um eco dos subalternos, dos submissos, dos subtraídos. Dos que na condição de sub não souberam gritar. Mas não grito por ninguém, grito junto, pra engrossar o coro.

Márcio Sales


Fonte: No boteco

Pois tudo é complicado demais antes de ser simples...