quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Freud sempre explica:



Em relação ao princípio do prazer e de realidade, podemos concluir que ambos os princípios possuem o mesmo objetivo — obter prazer e evitar desprazer. No entanto, a diferença fundamental entre eles está na maneira como lidam com a situação, sendo que a regra do princípio do prazer é a imediates, já que o estado de tensão precisa ser desfeito imediatamente, sem levar em consideração as circunstâncias ou consequências. Um exemplo desta situação é o caso de um bebê, quando uma alucinação pode acalmá-lo temporariamente quando chora de fome; se o leite demora a vir, pode começar a chupar o dedo, e com isso lidar com o desconforto causado pela fome durante algum tempo. A ação motora nesse caso tem o objetivo de “descarregar” a tensão e, embora não possibilite obter leite realmente, mantém o bebê na ilusão de que solucionou o problema e modificou a situação. Na verdade, a única modificação — e ainda assim frágil e precária — foi um alívio do desprazer que estava sentindo, pois não se alimentou realmente, ou seja, não poderia se manter nessa condição de ilusão para sempre.

O princípio da realidade, mesmo tendo como objetivo também a satisfação, busca-a de outra forma, já que procura levar em consideração os dados da realidade. Isso implica, que uma série de aquisições possa ser desenvolvida, de modo a permitir esse tipo de funcionamento. Em primeiro lugar, é necessário contar com a percepção, que está ligada à consciência. Em outras palavras, para que qualquer operação envolvendo a realidade possa ter lugar, é preciso haver inicialmente um contato com os dados que a compõem, e isso só pode ser feito com a ajuda da percepção acompanhada por um se dar conta deles, isto é, pela notação, pois muitas vezes percebemos, mas não “sabemos” que percebemos, ou não utilizamos o que foi captado, portanto, permanecemos “inconscientes” desses dados, como se não existissem.

 Sigmund Freud. “Além do princípio de prazer”.

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