domingo, 20 de novembro de 2011

Não acredito em amores perfeitos.



Por Ricardo (Sano)

O que eu quero mesmo é que você me odeie, mas me ame como ninguém.
Que minta pra mim, mas que me olhe nos olhos para dizer a verdade.
Que seja estúpido, mas que os seus carinhos sejam os melhores do mundo.
Que brigue comigo, mas me abrace e diga que não se importa.
Que me faça suspirar de amores e me faça urrar de prazer.
Que me abrace forte o suficiente pra que eu saiba que nada vai acontecer, mas me coloque na parede como se fosse me matar.
Que seja meu amante, mas que seja também meu melhor amigo.
Que seja responsável, mas que seja meu cúmplice nas horas de irresponsábilidade.
Que me irrite, mas que ao sorrir, eu me esqueça do porque eu me irritei.
Que conheça os meus defeitos e manias, mas que se divirta com eles.
Que seja o motivo de um boa noite, mas que também esteja ali pra ser o meu bom dia.
Que me faça sofrer, mas que também faça valer a pena.
Que seja inteligente, mas que brinque como uma criança faria.
Que fique emburrado, mas que saiba conversar para resolvermos os problemas.
Que me ame todos os dias como se aquele fosse o último, mesmo que seja o último dia só para nós dois.
Que mude o que achar que for necessário, mas que não deixe de ser você mesmo.
Enfim...
Quero que você seja o meu anjo, mas que não deixe nunca de ser o meu monstro.

Fonte: aqui

E como diria o poeta

"Que seja eterno enquanto dure"
(Vinicius de Moraes)


E quando essa ínfima eternidade acabar-se em poucos anos ou míseros meses.
Que a dor seja tolerável
A ferida não se torne crônica
Que rapidamente um anjo apareça  para assoprar e confortar...
Afinal e vida é breve e as possibilidades infinitas...

Carta aos desiludidos no amor


Por Xico Sá
Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e nunca mais se encontra dentro das próprias vestes.
Como se o amor fosse uma bodega de lucros, um comércio, como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela, o Renato Russo musicou e tudo, lembra?
Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupícinio Rodrigues, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da existência.
Tudo bem não querer repetir, com a mesma maldita pessoa, os mesmos erros, discussões, barracos e infernos avulsos e particularíssimos. Falar nisso, nunca mais ouvi o velho e bom “eles renovaram o namoro”. Coisa linda, linda, linda, o mais comum era dizer apenas “eles renovaram”. Prestou atenção na força das palavras?
Não estamos tratando desse tema. O caso aqui é de quem se desilude ao infinitum. Triste de quem encerra o afeto de vez, como se aquela mulher e/ou aquele homem “x” fossem fumar o king size, duvidoso e sem filtro, lá fora, e representassem o último dos humanos.
Chega do clichê e do chavão de que todos os homens ou mulheres são iguais. São, mas não são, senhoras e senhores. Cada vez que uma folha se mexe no universo a vida é diferente. Todos os machos e todas as fêmeas são novidades. Podem até ser piores, uns mais do que os outros, porém dependem de vários fatores.
Não adianta chamar o garçom do amor e passar a régua para sempre por causa de apenas um(a) sujeito(a) – como se representassem a parte pelo todo da panelinha do mundo. O que não vale mesmo é eliminar o amor como proposta mínima na plataforma política de estar vivo.
Já pensou quantos amores possíveis, como diria Calvino, você estaria dispensando por essa causa errada? E quem disse que amor é para dar certo?
Amor é uma viagem. De ácido.
Amar é… dar ou levar pé-na-bunda. Depois, como se diz, a fila anda, mesmo que mais demorada que a do velho INPS ou do que a dos ingressos para a final do campeonato.
E tem mais: a única vacina para um amor perdido é um novo amor achado. Vai nessa, aconselho! Só cura mesmo com outro.
Sim, o amor acaba, se não você não entendeu ainda… Corra a ler o gênio mineiro Paulo Mendes Campos: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Vamos esquecer a ilusão católica do até que a morte separe os pombinhos e viver lindamente o amor e o seu calendário próprio. Muitas vezes, não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da quinzena, que, de tão intenso e quente, logo derrete. Foi bonito.
Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

AOS ESCREVINHADORES QUE ESCREVINHANDO ESCREVINHAÇÕES ESCREVINHAM A VIDA E A MORTE, RABISCAM O IR E O VIR, DESCREVEM O SER E O ESTAR, DEFINEM O QUERER E O PODER, TINTIM POR TINTIM, DE ACORDO COM O SEU SABER ENTENDER.



Ainda não sei com certeza se foi um grande sonho, uma oportuna alucinação, um imprevisto pesadelo, uma simples bebedeira, ou o evento aconteceu de fato. O que sim garanto é que ocorreu ontem logo depois de deitar e um pouco antes de adormecer (ou terá sido ao contrário?...)


Bem, pouco importa a ordem cronológica. Tenha sido antes, durante ou depois, o fato é que a mensagem chegou de repente, como que trazida pelo vento que lá fora batia impaciente contra a janela do quarto. Pensando melhor, ela talvez estivesse camuflada dentro da garrafa de whisky que pouco antes abrira para afogar um pouco a sede crônica da minha solidão escandinava.


Tratava-se de uma folha de caderno incompleta, amarrotada e em branco, dessas nas quais após uns segundos de perplexidade, as letras aparecem e acomodam-se ordeiramente, parindo palavras organizadas em frases, que a medida em que as digerimos adquirem significado, significância, corpo, volume, essência, peso, valor.


A bem da verdade, ela não estava dirigida a mim, mas ao lê-la tive certeza que não fora o acaso que a trouxera. Era bem curta, mas funda. E, ainda que não mais a tenha comigo, já que o que chega de noite pernoita mas não amanhece, lembro do texto quase como se eu o tivesse escrito.


Era mais ou menos este:


".. lembrar sempre, em cada letra que imprimir, em qualquer argumento que escolher, em todos os ardís que elocubrar para travestir a fragilidade interior; em todos as imagens que verter sobre o bendito papel que tudo aceita; em cada um dos hieroglifos que esculpir tentando explicar-se ao próximo, que cada frase/estrofe/verso é uma estrada que conduz às entranhas da mais profunda intimidade, ao quarto de despejo das mais escondidas angústias, aos bem guardados segredos que descifram o código genético de todas as nossas carências.


Não esquecer nunca que ao escrever instaura-se em cada parágrafo um púlpito desde o qual confessa-se de viva voz e sem direito ao arrependimento, o tamanho das feridas, a profundidade das cicatrizes, o peso específico das dores. Tratar sempre, por causa disso, de alimentar a curiosidade insaciável dos leitores, servindo-lhes um prato cheio de meias-palavras, de gestos contidos, de silêncios apenas esboçados, de sinuosidade despistante.


Na sobremesa da leitura, não esqueça de convidar aos olhares indiscretos que visitarem os seus dizeres, a digerirem sem pressa os seus conceitos, as suas idéias, o seu silêncio, e principalmente, cuide que os comensais ao partirem levem algumas verdades embrulhadas para viagem, outros tantos embustes para consumo imediato, e se possível, uma lágrima de carne e osso - ainda que apenas metafórica - que os obrigue a dizer "não, não, não é nada, foi apenas um cisco". Lembre também que a folha sobre a qual verte os seus dizeres será a ante-sala de sua essência. Que seja, então, o espelho dela.


O que sim, nunca permitir que o seu cantar, que o seu contar, deixe de ser envolvente para quem chega, decorado em tons que lembrem o encontro e não a partida; com móveis que convidem ao descanso e não à crispação.


Diga, nesse mea culpa que subjaz no intestino do seu desleixado talento de saber dizer, o que pensa e sente e espera e sonha, ­que é esse o seu dever - mas faça-o olhando de frente, nunca esquecendo que o leitor é o seu convidado de honra, o seu amante de turno, o seu verdugo.


Saiba qu.....


Pois é. Era isso e nada mais. Apenas um pedaço de um conselho de amigo que não sei se foi a noite escandinava que o escreveu, o Chivas que o inspirou , a solidão que o gestou, o pesadelo que o gerou, a alucinação que o lapidou. Não sei. Nem importa. Basta-me saber que não basta saber, que não se trata de apenas escrever, nem muito menos de somente dizer.


Bruno Kampel

As mulheres de 30


O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz:
'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.
A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.

A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.
São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.
MÁRIO PRATA
Ponto. Pra elas.

"O homem solitário é uma besta ou um deus"

??????


D/A

“Nem toda distância é ausência. Assim como nem todo silêncio é esquecimento…”

sábado, 5 de novembro de 2011



Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo. 
(Mahatma Gandhi)

E POR VEZES


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos"

David Mourão- Ferreira

Vive-se melhor a inventar a verdade todos os dias, dizem-me.

Inês Pedrosa