quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Qual a sensação do "não-amar"?


Dizem por aí, que não tem coisa pior pra um escritor, do que a felicidade. Porque poesia pra pegar lá no fundo, tem que vir sofrida, derrotada, doída. Ironicamente, a dor que estraçalha a vida real, é combustível essencial pra aquele que escreve. Porque escrever é exorcizar seus demônios – a escrita agarra tudo aquilo que machuca dentro, trás pra fora, expõe a ferida aberta pro mundo. E a dor, é a principal responsável pelos textos que pegam na alma.
Hoje me falta o combustível da dor. Queria escrever um daqueles textos sofridos, que fazem o outro querer atravessar a tela pra te dar um abraço e dizer que vai ficar tudo bem. Mas a dor de amor, há algum tempo, não dá as caras. Ela já passou por essa estrada, deixou cicatrizes, motivou palavras – e se foi. E hoje, eu nem faço mais ideia de como ela seja. Por mais que remexa lá no fundo pra encontrar algum vestígio de dor que desmanche em poesia, nada encontro. 
E hoje só consigo mesmo perguntar a velha questão 
"What’s not to love?". Qual a sensação do "não-amar"? 
Porque hoje, metade de mim é amor e a outra metade também.
Jaque Barbosa.

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