terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A inconveniente "verdade"

Contaram-me que aconteceu em algum lugar não tão distante assim:
Que por onde passava a tal verdade causava um grande mal estar.
Causava rompimento amoroso, causava desgosto entre pais e filhos, causava incômodo entre familiares, divergências entre os chefes, mal estar entre os membros da sociedade. A tal da verdade chegou mesmo causar guerras entre alguns povos mais irritadiços.
Até que um dia o grande rei mandou chamar a verdade.
Lá chegou ela. Com toda sua complexidade e antagonicamente simples.
E quando questionada a respeito de suas desordens, disse ironicamente:
-Eu não entendo, me querem, me clamam, me exigem, chegam a me implorar e quando apareço, é essa indignação toda. Vai entender.
E continuou:
-São tantas perguntas para me obter e quando me têm na palma mãos, dizem que eu queimo, faço mal, envergonho e entristeço.
-Não busquem oras! Disse a verdade.
Ando muito bem às escondidas.
Não sou de sair batendo em portas. Não preciso de muitos.
O grande Rei se irritou com a verdade e disse:
-Cale-se e não me venhas com as suas, quem disse que eu quero ouvir a verdade.
-A verdade me incomoda.
-Tirem a verdade daqui.
-Guardas, guardas prendam a verdade!
Joguem-na em um calabouço, sumam com ela.
Não a deixem mais ver a luz do dia, a verdade só será permitida nas madrugadas, às escondidas. 

Entre os excluídos. Os que não são bem vindos e bem vistos.
A verdade não pode andar por aí em meio à gente decente.
Em meio a essa gente “decente e feliz”.
E já que não posso exterminá-la, a banirei de nosso meio.
E assim aconteceu...

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