terça-feira, 31 de julho de 2012

Passara a grande atração que justificava toda uma vida



Havia um silencio como quando há tambores batendo.
[...] Ela estava muito ferida porque não o amava mais. Pois não o amava mais. 
Passara a grande atração que justificava toda uma vida. Ela estava ferida e melancólica. 
Era uma dor morta.
Eis a água – e eu não preciso mais bebê-la.
Eis o sol - e eu não preciso mais dele.
Eis o homem - e eu não o quero. Seu corpo perdera o sentido.
[...] Ela só o procurou uma vez em que lhe disse triste, honesta e indireta:
- Um dia amei um homem. Depois deixei de amá-lo. 
Não sei por que amei, não sei por que deixei de amá-lo.
- E depois você tornou-se amiga dele?
E se assim ele perguntou, é porque estava desamparado e precisava de amizade.
- Não, disse ela olhando-o devagar. Não. A amizade é muito bonita mesmo. Mas o amor é mais. 
Eu não podia ter amizade por um homem que eu tinha amado.
- E depois? Perguntou com uma angustia cujas raízes ele próprio ignorava.
- Depois, disse ela, depois eu chorava de tristeza, até sem dor. Eu pedia: faça-me sofrer por amor!
Mas nada acontecia, eu estava de novo livre.


Grande Clarice Lispector in: A Maça no Escuro

A canoa do amor se quebrou


Passa da uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
[...] 

Maiakóvski

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Eu gosto tanto de você



Apenas Mais Uma de Amor 

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Sub-entendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Eu Acho isso tão bonito
de ser abstrato,baby
A beleza é mesmo tão fugaz


É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

sábado, 21 de julho de 2012

Ao Camarada Brecht





Éh camarada Brecht o nosso tempo não esta muito melhor que seu tempo sombrio. Talvez um pouco mais iluminado com luzes de neon, cores mais vivas e vibrantes têm até cores em três D, bonito de se ver. 

A cada dia descobrimos algo novo, a tecnologia esta tão avançada, impossível de se acompanhar. 

Vivemos mais, e os otimistas dizem que com mais qualidade, pode ser. 

Infelizmente o momento do homem ser bom para o homem, ainda não chegou,ao contrario em nossa grande maioria ainda somos incapazes de sentarmos todos à mesa como irmãos na paz. Precisamos ter cuidado, pois em alguns lugares não nos confraternizamos mais. 
Não damos mais a mão com medo que nos roubem o braço, ignorando que muitas vezes uma mão estendida pode salvar uma vida. Estamos nos comprometendo cada vez menos. 

Hoje somos adeptos dos fones de ouvidos, emails com meia dúzia de palavras, motoristas solitários indo para mesma direção que seu vizinho, corremos para não dividir o elevador, cabeças baixas. Mas estamos sempre sorrindo e chamando a todos de amigos nas redes sociais, uma febre do momento camarada.

Estamos também empreendendo um grande esforço para a destruição de nosso planeta por interesses individuais, ganância e falta de interesse coletivo

Tenho que te contar; a turminha que não se interessa por política e que acha que não tem nada a ver com isso, aumentou assustadoramente, para bel prazer dos tubarões.Ainda há muita injustiça e irrisória indignação.
Entregamo-nos aos domínios dos tubarões ou dos homens, mas os homens não são tubarões e os tubarões não são Homens. E o povo continua analfabeto em vários sentidos.


Não sei se deveria estar enviando essas noticias, fico meio sem jeito. Não mandaria pra outro que não você, as pessoas do meu tempo não gostam muito de ler nada com mais de três linhas. Mas, pensei que, quem sabe você não queira encenar uma peça desse nosso caos social, você com esse talento e sabedoria, queira retratar esse tempo, em que um individuo pensante e bom é incompatível com o todo

Sei que vai me dizer que só os homens podem libertar os homens

Mas uma luz seria bem vinda. 

Bem, cá estou para qualquer resposta.

É isso camarada, um grande e fraterno abraço.

De Maria da Luz em tempos modernos.


PS. Ah as ultimas: em nosso tempo fumar se tornou deselegante camarada, quem fuma, fuma quase escondido. E matar se tornou banal ninguém se surpreende mais, só esperamos a próxima.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Fui assaltada



Hoje a realidade me tomou de assalto.
Me roubou as forças.
Cioran disse que o que o ajudava a suportar a vida era a idéia de suicídio,
a certeza que ele poderia interromper a vida quando assim o desejasse, essa idéia fazia-o suportar seus dias.
Eu não tenho esse consolo, pois sei que não teria forças pra isso, um dia abri o pote de Pandora e fui contaminada pelo "última maldição" que havia lá dentro, a esperança. 
E essa não me deixaria por fim nesse suplício que é a vida por vezes.
O terrificante é lembrar que a esperança é a ultima que morre.
Então não me resta nada além de seguir em frente carregando esse fardo o peso e milenaridade das rochas.
Esperar o devir.

Emil Cioran e o flerte com o suicídio

Toda generalização é burra!


Em minha primeira viagem ao Rio em 1999, ouvi falar pela primeira sobre a rivalidade entre Paulistas e Cariocas, nem sabia que existia e realmente não sei a origem da mesma.
Só sei que os paulistas ou paulistanos vivem dizendo que os cariocas; são malandros, folgados, preguiçosos, trabalham menos etc.
Porém, sempre pensei que essa rixa tivesse um tom de brincadeira.
Na verdade, até acho que da parte carioca não passa de um deboche, de um sarrinho, de uma diversão. Claro que às vezes de muito mau gosto. No entanto, percebi nos últimos acontecimentos o quanto essa rivalidade é cultural da parte paulistana. Eles realmente acreditam em sua superioridade e hasteiam a bandeira de toda essa bobagem em relação aos cariocas.
É algo quase visceral. É cultural. E incomoda. São raras as exceções.
Sou paulista e casada com um paulistano e aqui começa o meu relato.
Vim morar no Rio há quase dois anos, meio à contra gosto, não por ser o Rio, mas por mais uma vez tentar a vida em outra terra, que não a minha. Embora acredite que minha terra é onde eu esteja no momento. Não me sinto pertencente há determinado lugar.  Enfim relutei um pouco para vir, mas quando o fiz foi com o coração aberto e disposta a acolher essa cidade.
Com o passar dos meses comecei notar que meu marido levava muito a sério essa rivalidade, sentindo-se um estranho no ninho por aqui. A princípio não dava importância, mas diante da freqüência e do conteúdo de suas palavras e do meu carinho pela cidade e seu povo começando a aumentar, esses comentários começaram me incomodar.
É muito comum estarmos diante da televisão e após uma notícia sobre algum crime por aqui, ouvir comentários do tipo:
“Só podia ser no Rio”,
" Como alguém pode viver num lugar assim?"
Meu marido não é ignorante. Já viajou bastante. O suficiente para aprender a não formar pré-conceitos sobre as pessoas e os lugares. Pelo menos assim deveria ser. Mas não é.
Sempre que acontece algo desagradável por aqui ele fez questão de frisar em tom pejorativo. Pra implicar. É natural e incontrolável.
Não tem paulista que não dê uma leve torcedela no canto da boca e uma empinadinha no nariz quando pronuncia a palavra carioca. Quanto mais o tempo passa, mais ele expressa a sua ignorância em relação ao assunto. Durante nossos passeios que são bem poucos, pois ele não gosta nem de passear por aqui, ele sempre destaca os lugares com maiores problemas
 "As favelas no Rio de Janeiro" " a violência". Argumento de paulista.
Será que eles esqueceram que em São Paulo também têm? 
Ou não tem favela em São Paulo, a periferia é muito arrumada? 
E as pessoas sentem-se extremamente seguras na capital paulista? Desnecessária comparação.
" Tento me manter em cima do muro e as vezes argumento: "bom, acho que depende da pessoa".
Ele retruca: "O carioca tem fama de malandro, folgado e isso tem alguma razão, porque as pessoas trabalham mais em SP do que no Rio.
Um estereótipo burro e deturpado no qual alguns paulistas que conheço se encaixariam muito melhor do que qualquer carioca. Sim, porque também tem paulista preguiçoso, folgado e malandro.
Os paulistas têm mais dinheiro. Blá, bla bla.
Às vezes perco a paciência e respondo:
“É claro, tem que ter sempre um otário pra pagar a conta". Seria impossível não me encher diante de tantas menções pejorativas.
Uma pena! Toda generalização é burra!
Sim, sou humana e sei que infelizmente também crio estereótipos e preconceitos, mas tento de toda maneira não deixar que isso influencie no meu relacionamento com as pessoas. E principalmente me dou à oportunidade de mudar diante de uma experiência boa.
Sabem o que percebi nesse curto tempo aqui; os cariocas são muito apegados a sua terra, eles tem uma relação apaixonada com ela. Talvez seja esse um dos pontos de divergência. Poucos paulistanos tem esse mesmo sentimento pela sua cidade. Por isso se torna tão difícil entender como eles (os cariocas) com tantos problemas; como a violência, as favelas, o trafico etc. ainda assim cultivam um amor incondicional. Inexplicável!
Somos povos “diferentes” essa é a única verdade.
Toda generalização é burra!


Uffa falei coloquei pra fora. Em breve o outro lado da história.

domingo, 15 de julho de 2012

Agora, uma câmera barata liberta você do anonimato.

Poesia leve


Chegou colorindo o cenário preto e branco. 
Brisa nos dias quentes de ar sufocante. 
Onda refrescante que cobre meu corpo fazendo-me arrepiar. 
Meu céu esta sempre anil, 
Minhas noites estreladas, 
Até lua me persegue, procurando por você. 
Sopro de vida, megadose de energia, 
Mostrou-me que posso muito mais que quero... 
Salpicou minha existência de alegria.

Estou voltando às minhas fontes originais e transformando-as.


Quero um futuro, mas não consigo romper com o passado aprisionante. Um passado que comodamente coloquei como escudo, pretexto para minhas falhas um espesso muro de lamentações. Preciso falar, mesmo que só pra mim que nesse momento: estou rompendo com os dentes esse cordão umbilical que me mantém presa a esse passado.

Rompendo com o TUDO É PROIBIDO de minha mãe, rompendo com o TUDO É PERMITIDO do meu pai. Desenvolvendo minhas próprias medidas. O tudo é proibido eu nunca respeitei, mas enfrentava excessivo peso na consciência. O tudo é permitido me trazia sérias conseqüências. Buscando MEU meio termo.

Resolvi abandonar a menina pobre, insegura, ela não quis acompanhar nosso desenvolvimento teimava em continuar com aquela pequenez. Acuada em seu mundinho. E pior, mais infeliz que deveria ser. Daqui para frente deixarei a mulher exuberante e inteligente tomar conta. Estou a cada dia pegando um pedaço desse passado castrador e com todo o carinho e respeito que ele merece dando uma ultima olhada dobrando com o todo o jeitinho e guardando-o em um baú. Um belo e forte baú. Que em dia breve perderei a chave, já que para mim isso é tarefa fácil.

quarta-feira, 11 de julho de 2012




Eu não tenho nada para oferecer a ninguém, exceto minha própria confusão.
Jack Kerouac

terça-feira, 10 de julho de 2012

Preciso apenas de UM BOM motivo...


para me afastar das pessoas.
E elas me dão vários.
Não nego um pesar, mas saio sem pensar
e sem idéias de voltar...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O que você acha de mudar o mundo?



Todos querem mudar o mundo ou esperam mudanças, mas poucos se dispõem a mudar, e eis porque nada muda. Se vamos esperar o mundo ou os governantes serem justos, ou todos os demais, para então praticarmos justiça, nada mudará.

Roberto de Barros Freire in: Dez Proposições Para uma Filosofia Simples