terça-feira, 17 de julho de 2012

Toda generalização é burra!


Em minha primeira viagem ao Rio em 1999, ouvi falar pela primeira sobre a rivalidade entre Paulistas e Cariocas, nem sabia que existia e realmente não sei a origem da mesma.
Só sei que os paulistas ou paulistanos vivem dizendo que os cariocas; são malandros, folgados, preguiçosos, trabalham menos etc.
Porém, sempre pensei que essa rixa tivesse um tom de brincadeira.
Na verdade, até acho que da parte carioca não passa de um deboche, de um sarrinho, de uma diversão. Claro que às vezes de muito mau gosto. No entanto, percebi nos últimos acontecimentos o quanto essa rivalidade é cultural da parte paulistana. Eles realmente acreditam em sua superioridade e hasteiam a bandeira de toda essa bobagem em relação aos cariocas.
É algo quase visceral. É cultural. E incomoda. São raras as exceções.
Sou paulista e casada com um paulistano e aqui começa o meu relato.
Vim morar no Rio há quase dois anos, meio à contra gosto, não por ser o Rio, mas por mais uma vez tentar a vida em outra terra, que não a minha. Embora acredite que minha terra é onde eu esteja no momento. Não me sinto pertencente há determinado lugar.  Enfim relutei um pouco para vir, mas quando o fiz foi com o coração aberto e disposta a acolher essa cidade.
Com o passar dos meses comecei notar que meu marido levava muito a sério essa rivalidade, sentindo-se um estranho no ninho por aqui. A princípio não dava importância, mas diante da freqüência e do conteúdo de suas palavras e do meu carinho pela cidade e seu povo começando a aumentar, esses comentários começaram me incomodar.
É muito comum estarmos diante da televisão e após uma notícia sobre algum crime por aqui, ouvir comentários do tipo:
“Só podia ser no Rio”,
" Como alguém pode viver num lugar assim?"
Meu marido não é ignorante. Já viajou bastante. O suficiente para aprender a não formar pré-conceitos sobre as pessoas e os lugares. Pelo menos assim deveria ser. Mas não é.
Sempre que acontece algo desagradável por aqui ele fez questão de frisar em tom pejorativo. Pra implicar. É natural e incontrolável.
Não tem paulista que não dê uma leve torcedela no canto da boca e uma empinadinha no nariz quando pronuncia a palavra carioca. Quanto mais o tempo passa, mais ele expressa a sua ignorância em relação ao assunto. Durante nossos passeios que são bem poucos, pois ele não gosta nem de passear por aqui, ele sempre destaca os lugares com maiores problemas
 "As favelas no Rio de Janeiro" " a violência". Argumento de paulista.
Será que eles esqueceram que em São Paulo também têm? 
Ou não tem favela em São Paulo, a periferia é muito arrumada? 
E as pessoas sentem-se extremamente seguras na capital paulista? Desnecessária comparação.
" Tento me manter em cima do muro e as vezes argumento: "bom, acho que depende da pessoa".
Ele retruca: "O carioca tem fama de malandro, folgado e isso tem alguma razão, porque as pessoas trabalham mais em SP do que no Rio.
Um estereótipo burro e deturpado no qual alguns paulistas que conheço se encaixariam muito melhor do que qualquer carioca. Sim, porque também tem paulista preguiçoso, folgado e malandro.
Os paulistas têm mais dinheiro. Blá, bla bla.
Às vezes perco a paciência e respondo:
“É claro, tem que ter sempre um otário pra pagar a conta". Seria impossível não me encher diante de tantas menções pejorativas.
Uma pena! Toda generalização é burra!
Sim, sou humana e sei que infelizmente também crio estereótipos e preconceitos, mas tento de toda maneira não deixar que isso influencie no meu relacionamento com as pessoas. E principalmente me dou à oportunidade de mudar diante de uma experiência boa.
Sabem o que percebi nesse curto tempo aqui; os cariocas são muito apegados a sua terra, eles tem uma relação apaixonada com ela. Talvez seja esse um dos pontos de divergência. Poucos paulistanos tem esse mesmo sentimento pela sua cidade. Por isso se torna tão difícil entender como eles (os cariocas) com tantos problemas; como a violência, as favelas, o trafico etc. ainda assim cultivam um amor incondicional. Inexplicável!
Somos povos “diferentes” essa é a única verdade.
Toda generalização é burra!


Uffa falei coloquei pra fora. Em breve o outro lado da história.

7 comentários:

  1. Olá Maria da Luz!
    Talvez isso seja uma questão de adaptação, mesmo morando no Rio há dois anos. [risos]
    Parabéns pelo blog e pela postagem! Prazer estar aqui! Com tempo, venha rir e chorar com DOROTÉIA, a passiva fumante. º~º http://jefhcardoso.blogspot.com
    Abraço!

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jeferson Cardoso)

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    1. Boa noite! Farei sim uma visita. Já me ganhou pelo nome.
      Um abraço Jeferson

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  2. Tines la luz en tus ojos mujer.
    Palabras concientes.

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  3. Entendo o que quer dizer Maria. Sou do Sul e moro em São Paulo há muitos anos.
    Vários amigos Paulistas sabendo que freqüentemente dou aula no Rio de Janeiro me perguntam:
    Você não tem medo de assalto? Como se estivesse saindo da Suíça e desembarcando em um País perigoso.
    E eu respondo sempre com a ironia que uma pergunta dessa merece:
    - Gente eu venho de São Paulo, espero que eles tenham um pouco de medo de mim também. “Como se o Rio fosse o foco da violência e São Paulo um paraíso estável, harmônico e pacifico...”
    “É uma característica nossa achar que a violência é sempre do outro”.

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    1. “Somos um povo profundamente pacifico cercado de gente violentas por todos os lados”. :) Obrigada Carlos pela visita

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