domingo, 20 de janeiro de 2013

Uma boa ideia para o momento.


E a vida segue



Ela vai se acostumando sem a mesa. Se virar sozinha na cama.
Comer na frente do computador, colocar a xícara de café na pia do banheiro. 
Comer algo escondido de manhã no escritório  
Não ter mais pra quem desabafar sua tristeza ou dar seu carinho. 
Vai se acostumando a não ouvir mais: Mãããe. 
Vai se acostumando com as baladas na sexta, o trabalho no sábado e o vazio do domingo. 
Ela vai se moldando, sobrevivendo, reaprendendo a viver com a liberdade.

A vida segue, mas por enquanto a fila não anda...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Não mais



Ela aprende que para ser feliz é preciso ser amada; para ser amada é preciso aguardar o amor. A mulher é a Bela Adormecida no bosque, Cinderela, Branca de Neve, a que recebe e suporta. Nas canções, nos contos, vê-se o jovem partir aventurosamente em busca da mulher; ele mata dragões, luta contra gigantes; ela acha-se encerrada em uma torre, um palácio, um jardim, uma caverna, acorrentada a um rochedo, cativa, adormecida: ela espera...

Simone de Beauvoir in: O segundo sexo.


É na angústia que o homem sente seu abandono.




Fugindo à sua liberdade, à sua subjetividade, ele gostaria de perder-se no seio do Todo: aí se encontra a origem de seus devaneios cósmicos e panteísticos, de seu desejo de esquecimento, de sono, de êxtase, de morte. Ele nunca consegue abolir seu eu separado: pelo menos deseja atingir a solidez do em-si, ser petrificado na coisa; é, singularmente, quando imobilizado pelo olhar de outrem, que se revela a si mesmo como um ser.

Simone de Beauvoir in: O segundo sexo.